PL pode enfraquecer fiscalização dos direitos do consumidor, alerta Senacon

Proposta em análise na Câmara altera multas, fiscalizações e competências dos Procons
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Foto: Magnific

A Senacon criticou o Projeto de Lei nº 2.766/2021. A proposta muda regras de fiscalização e multas no Código de Defesa do Consumidor. O órgão teme enfraquecimento dos Procons e da proteção ao consumidor.

A Secretaria Nacional do Consumidor, vinculada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, manifestou preocupação com os impactos do Projeto de Lei nº 2.766/2021, em tramitação na Câmara dos Deputados.

Segundo a Senacon, a proposta pode representar um retrocesso na proteção dos consumidores brasileiros ao criar obstáculos à fiscalização, reduzir a efetividade das multas e comprometer a atuação preventiva dos órgãos de defesa do consumidor.

O projeto tramita em regime de urgência, o que permite sua inclusão na pauta de votação do Plenário sem aviso prévio.

O que diz o projeto

O PL 2.766/2021 modifica o Código de Defesa do Consumidor e estabelece novos critérios para a aplicação de sanções administrativas contra fornecedores.

O texto busca padronizar a atuação dos órgãos de defesa do consumidor e coordenar a fiscalização entre autoridades federais, estaduais e municipais.

Entre as mudanças previstas está a ampliação da fiscalização orientadora. Nesse modelo, em determinadas situações, o fornecedor receberia orientação e prazo para corrigir irregularidades antes da aplicação de penalidade.

A autuação imediata ficaria reservada a casos considerados mais graves.

A proposta também altera critérios de cálculo e limites das multas administrativas. Para definir a penalidade, poderão ser considerados fatores como gravidade da infração, vantagem obtida, condição econômica do fornecedor, extensão do dano e reincidência.

Outro ponto é a tentativa de evitar que uma mesma conduta seja investigada ou punida simultaneamente por diferentes órgãos de defesa do consumidor.

Defensores da proposta afirmam que as mudanças aumentam a segurança jurídica, evitam punições duplicadas e tornam as sanções mais proporcionais.

Senacon vê risco aos Procons

A Senacon avalia que o projeto pode reduzir a autonomia dos Procons e limitar a capacidade de resposta dos órgãos de fiscalização.

Para a Secretaria, a atuação dos Procons não se resume a visitas presenciais a estabelecimentos comerciais. Esses órgãos também investigam problemas coletivos, acompanham serviços essenciais, analisam práticas abusivas e atuam em mercados digitais, serviços financeiros, comércio eletrônico, combustíveis, transporte aéreo e outras áreas de grande impacto social.

Na avaliação do órgão, a exigência de etapas prévias antes da aplicação de sanções pode atrasar a interrupção de práticas prejudiciais aos consumidores.

Multas podem perder força preventiva

A Senacon também critica mudanças relacionadas às multas administrativas.

As penalidades aplicadas por órgãos de defesa do consumidor têm função punitiva e preventiva. Além de responsabilizar fornecedores por irregularidades, servem para desestimular a repetição da conduta.

Para a Secretaria, reduzir a efetividade das multas pode beneficiar especialmente grandes empresas, que podem passar a considerar penalidades menores como custo operacional.

Plataformas digitais e inteligência artificial

A preocupação da Senacon também envolve os novos desafios das relações de consumo.

A Secretaria cita riscos associados a plataformas digitais, inteligência artificial, deepfakes, conteúdos falsos e práticas que podem atingir crianças e adolescentes.

Na avaliação do órgão, os instrumentos de fiscalização precisam ser rápidos e eficazes para lidar com fraudes digitais, publicidade abusiva, golpes e danos coletivos em grande escala.

Debate deve avançar no Congresso

Como o tramita em regime de urgência, a proposta pode ser votada diretamente pelo Plenário da Câmara.

O tema deve mobilizar Procons, entidades de defesa do consumidor, setor produtivo, plataformas digitais e parlamentares.

Caso seja aprovado pela Câmara, o texto ainda precisará passar pelo Senado antes de seguir para sanção ou veto presidencial.

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