MPCE cria grupo para combater influência de organizações criminosas nas eleições

Vinculado ao Gaeco, Grupo Auxiliar Eleitoral deverá reunir inteligência e apoiar investigações e ações judiciais relacionadas ao processo eleitoral
Simulação da eleição para demonstração do fluxo de votação, em uma seção eleitoral cenográfica
Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

O MPCE criou um grupo para combater a influência do crime nas eleições. O Gael será vinculado ao Gaeco e atuará em casos de maior repercussão. A equipe deverá apoiar investigações e ações judiciais eleitorais.

O Ministério Público do Ceará criou uma estrutura especializada para identificar e combater a influência de organizações criminosas nas eleições.

O Grupo Auxiliar Eleitoral, denominado Gael, será vinculado ao Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas, o Gaeco, e poderá apoiar a atuação do Ministério Público em casos eleitorais considerados de grande repercussão social ou com prejuízo ao interesse público.

Grupo terá atuação eleitoral especializada

O Gael será coordenado pelo promotor de Justiça Eleitoral Igor Pinheiro. Também integrarão a equipe, como membros auxiliares, a promotora de Justiça Mônia Dantas e o promotor de Justiça Cleyton Bantim.

A estrutura deverá aproximar a atuação eleitoral dos mecanismos de investigação e inteligência já utilizados pelo Gaeco no enfrentamento às organizações criminosas.

Os integrantes poderão atuar em investigações, ações judiciais e outras medidas destinadas a impedir que grupos criminosos interfiram na escolha de candidatos, no financiamento de campanhas, na atuação de agentes públicos ou no funcionamento das instituições eleitorais.

Inteligência deve subsidiar investigações

A criação do Gael segue diretrizes da Resolução nº 297/2024 do Conselho Nacional do Ministério Público.

A norma recomenda que os Ministérios Públicos desenvolvam mecanismos robustos de inteligência e mantenham informações qualificadas sobre pessoas vinculadas a facções e outras organizações criminosas.

Esses dados podem subsidiar decisões em investigações, operações, ações judiciais e iniciativas de segurança pública.

No campo eleitoral, esse trabalho pode ajudar a identificar tentativas de cooptação de candidatos, financiamento ilícito, intimidação de eleitores, abuso de poder e possível infiltração de organizações criminosas na administração pública.

Atuação dependerá de designação

Promotores que atuam no Gaeco e no Gael poderão participar de casos relacionados à influência do crime organizado nas eleições mediante designação do procurador-geral de Justiça.

Segundo o MPCE, a atuação deverá respeitar os princípios do promotor natural e da independência funcional.

Isso significa que o grupo não substituirá automaticamente os promotores eleitorais responsáveis por cada município ou zona eleitoral. A equipe especializada atuará como apoio nos casos que exijam investigação mais complexa, integração institucional ou conhecimentos específicos sobre organizações criminosas.

Eleições de 2026 ampliam preocupação

A medida é adotada no ano das eleições gerais, quando os eleitores escolherão presidente da República, governadores, senadores e deputados federais e estaduais.

A preocupação das instituições envolve a possibilidade de grupos criminosos tentarem financiar candidaturas, pressionar comunidades, controlar territórios ou estabelecer relações com agentes políticos.

A criação do Gael busca ampliar a capacidade do Ministério Público de detectar esses movimentos e agir antes que produzam efeitos sobre a liberdade do voto e a legitimidade do processo eleitoral.

Integração com o Gaeco

A vinculação ao Gaeco permitirá que o grupo utilize conhecimentos acumulados em investigações sobre facções, lavagem de dinheiro, corrupção e outras formas de criminalidade organizada.

O trabalho poderá envolver análise de dados, compartilhamento de informações e atuação coordenada com órgãos eleitorais, forças de segurança e outras instituições públicas.

A expectativa é que a nova estrutura fortaleça a prevenção e a repressão de condutas criminosas capazes de comprometer a normalidade e a legitimidade das eleições no Ceará.

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