De R$ 2,23 a R$ 31,25: custo declarado por voto varia 14 vezes entre eleitos do Ceará

Levantamento considera as despesas contratadas pelos 22 deputados federais eleitos; valores ainda são parciais e podem mudar com a prestação final das campanhas
Urna eletrônica
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

O custo declarado por voto entre os deputados federais eleitos pelo Ceará varia de R$ 2,23 a R$ 31,25. André Fernandes registrou o menor valor, enquanto Dr. Jaziel apresentou o maior. Os números são preliminares e ainda podem ser atualizados pelas campanhas.

O custo declarado por voto entre os deputados federais eleitos pelo Ceará varia mais de 14 vezes. Enquanto a campanha de André Fernandes (PL) registrou até agora uma despesa equivalente a R$ 2,23 por voto, a de Dr. Jaziel (PL) alcançou R$ 31,25.

Os números fazem parte de levantamento realizado por O Veredito com base nos dados disponibilizados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Foram cruzadas as despesas contratadas pelas campanhas com a votação nominal dos 22 candidatos eleitos para representar o Ceará na Câmara dos Deputados a partir de 2027.

A base de prestação de contas foi gerada pelo TSE em 6 de outubro. Os valores ainda são preliminares, pois as campanhas continuam alimentando o sistema e as contas não foram julgadas pela Justiça Eleitoral. Conjunto de dados

André teve menor custo declarado por voto

Deputado federal mais votado do Ceará, André Fernandes recebeu 684.372 votos e declarou aproximadamente R$ 1,52 milhão em despesas contratadas. A relação entre os dois números resulta em R$ 2,23 por voto, o menor valor entre os eleitos.

Na outra ponta aparece Dr. Jaziel. Ele foi eleito com 64.870 votos e tem cerca de R$ 2,03 milhões em despesas contratadas, o equivalente a R$ 31,25 por voto.

Os dois candidatos receberam R$ 3,1 milhões em recursos públicos, considerando as transferências identificadas na base do TSE como provenientes dos fundos Eleitoral e Partidário. A diferença aparece principalmente na votação: André obteve mais de dez vezes o número de votos de Dr. Jaziel.

O cálculo não significa compra de votos. Trata-se apenas da divisão do total de despesas contratadas pelo número de votos obtidos, indicador usado para comparar o desempenho financeiro das campanhas.

Célio Studart e Erika Amorim aparecem em seguida

O segundo maior custo declarado por voto foi registrado pela campanha de Célio Studart (PSD). Com R$ 3,10 milhões em despesas e 122.415 votos, o valor chegou a R$ 25,35 por eleitor.
Erika Amorim (Republicanos) aparece na terceira posição, com R$ 22,78 por voto. A campanha declarou R$ 2,48 milhões em despesas e a candidata recebeu 109.025 votos.

Entre os menores valores estão, depois de André Fernandes, Matheus Noronha (PL), com R$ 6,15 por voto; Giordanna Mano (PRD), com R$ 6,69; Raimundo Martins (PT), com R$ 6,72; e Tainah Marinho (PSB), com R$ 7,10.

Veja o custo declarado por voto

Arte mostra custo por voto de deputados do Ceará em 2026

Eleitos receberam R$ 48,3 milhões de recursos públicos

Somadas, as campanhas dos 22 deputados federais eleitos declararam aproximadamente R$ 36,3 milhões em despesas contratadas. Eles receberam, juntos, pouco mais de 3,5 milhões de votos, o que corresponde a uma média geral de R$ 10,36 em gastos declarados por voto.

As receitas informadas pelos candidatos totalizam R$ 51,36 milhões. Desse valor, aproximadamente R$ 48,31 milhões foram registrados como provenientes do Fundo Especial de Financiamento de Campanha ou do Fundo Partidário. Isso representa cerca de 94% dos recursos recebidos até o momento.

O fato de as receitas superarem as despesas declaradas não indica necessariamente sobra definitiva de campanha. Novos gastos ainda podem ser incluídos nas prestações de contas, e eventuais recursos não utilizados devem seguir as regras eleitorais para devolução.

Dinheiro não explica sozinho o resultado

Os dados mostram que campanhas com valores semelhantes podem produzir resultados eleitorais muito diferentes. Além dos gastos individuais, a votação é influenciada pela exposição anterior do candidato, estrutura partidária, presença nas redes sociais, bases municipais, alianças políticas e desempenho da legenda ou federação.

Nas eleições proporcionais, também não basta estar entre os candidatos mais votados. A distribuição das cadeiras considera os votos recebidos pelo partido ou pela federação, além do desempenho individual. Por isso, alguns candidatos foram eleitos diretamente pelo quociente partidário, enquanto outros conquistaram a vaga pela distribuição das chamadas médias.

Como foi feito o levantamento

O Veredito somou as despesas contratadas registradas na base de prestação de contas dos candidatos do TSE e dividiu o resultado pela votação nominal de cada eleito. Foram considerados os arquivos oficiais gerados em 6 de outubro de 2026.

Os números representam um retrato provisório e deverão ser atualizados depois da entrega das prestações finais. O cálculo não inclui despesas partidárias gerais que não tenham sido atribuídas individualmente às candidaturas.

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