O Ceará realiza, nesta terça-feira (2), a etapa estadual da II Conferência Nacional do Trabalho (II CNT), encontro que reunirá trabalhadores, empregadores e governo para debater desafios atuais das relações laborais e definir propostas que serão levadas à etapa nacional do evento, marcada para março de 2026, em São Paulo. A programação ocorrerá das 8h às 18h, no auditório do Sebrae Ceará, em Fortaleza.
A abertura oficial da conferência estadual ocorre na véspera, dia 1º, com palestra magna sobre “Diálogo social e o tripartismo nas relações de trabalho”, ministrada pelo advogado e professor Clóvis Renato.
A II CNT é um fórum tripartite, paritário e democrático, organizado pelo Ministério do Trabalho e Emprego, com o objetivo de orientar políticas públicas voltadas para trabalho decente, inclusão produtiva, proteção social e adaptação do mercado às transformações econômicas, tecnológicas e ambientais.
Segundo o Governo Federal, as etapas estaduais, realizadas entre setembro e dezembro em todo o país, são fundamentais para captar a diversidade regional do mundo do trabalho brasileiro.
Ceará: avanços e desafios do trabalho decente
Segundo o Diagnóstico do Trabalho Decente do Ceará, o estado apresenta avanços importantes:
• Aumento da formalização, com mais trabalhadores empregados com carteira assinada;
• Expansão da proteção previdenciária;
• Maior participação das mulheres no mercado de trabalho;
• Melhora no acesso dos jovens a oportunidades formais;
• Redução do trabalho infantil.
Entretanto, persistem desafios estruturais:
• A taxa de desocupação segue acima da média nacional;
• Segmentos econômicos ainda exibem elevada informalidade;
• As desigualdades salariais permanecem marcantes;
• A rápida transformação tecnológica exige novas estratégias de qualificação e requalificação profissional.
Para o superintendente regional do Trabalho no Ceará, Carlos Pimentel, a etapa estadual será decisiva para alinhar perspectivas e construir consensos:
O que estará em debate
A programação do dia 2 prevê:
• Apresentação do regulamento e metodologia da conferência;
• Trabalhos em grupos temáticos, divididos em dois eixos:
1. Transformações tecnológicas, digitais, ambientais e demográficas no mundo do trabalho;
2. Políticas públicas para emprego, trabalho decente e transição justa;
• Plenária Final, com aprovação das propostas cearenses para a conferência nacional.
Essas diretrizes comporão a contribuição do Ceará para o relatório nacional, que embasará futuras políticas de trabalho, qualificação e proteção social.
De acordo com o Ministério do Trabalho, a II CNT será o principal espaço de escuta e formulação coletiva da política pública de trabalho para os próximos anos, reunindo representantes de todo o país. As etapas estaduais são consideradas essenciais para oferecer “um panorama real das condições de trabalho, desigualdades e oportunidades de cada região”.