Como deve funcionar o novo Departamento de Repressão à Lavagem de Dinheiro no Ceará

Nova estrutura da Polícia Civil vai concentrar investigações financeiras para identificar, bloquear e recuperar recursos obtidos pelo crime organizado
Dinheiro apreendido pela Polícia Civil do Ceará
Dinheiro apreendido pela Polícia Civil do Ceará (Foto: SSPDS/Divulgação)

O novo DRLD será uma estrutura da Polícia Civil voltada a investigar o dinheiro do crime organizado. A missão será rastrear, bloquear e recuperar bens obtidos por meio de atividades ilícitas. A ideia é enfraquecer as facções pela base financeira, e não apenas pela prisão de integrantes.

O Ceará passará a contar com uma estrutura especializada para investigar a movimentação financeira de organizações criminosas. A Assembleia Legislativa do Ceará (Alece) aprovou nesta quinta-feira (25) a criação do Departamento de Repressão à Lavagem de Dinheiro (DRLD), que integrará a Polícia Civil e terá como principal missão identificar, rastrear, bloquear e recuperar bens e recursos provenientes de atividades ilícitas.

A proposta parte da avaliação de que prender integrantes de facções, embora importante, não é suficiente para enfraquecer o crime organizado. Segundo a justificativa enviada pelo governador Elmano de Freitas à Alece, é preciso atacar também a base financeira dessas organizações, impedindo que elas utilizem recursos ilícitos para financiar novas atividades criminosas e ampliar sua influência.

O foco será seguir o caminho do dinheiro

O trabalho do novo departamento será diferente do realizado em investigações criminais tradicionais. Em vez de concentrar esforços apenas na identificação dos autores dos crimes, o DRLD terá como prioridade acompanhar o fluxo do dinheiro.

Isso inclui investigar movimentações financeiras suspeitas, empresas de fachada, imóveis, veículos, investimentos e outros bens que possam ter sido adquiridos com recursos de origem criminosa. A partir dessas investigações, a Polícia Civil poderá solicitar ao Poder Judiciário o bloqueio desses ativos para evitar que continuem financiando organizações criminosas.

Segundo o Governo do Estado, a lavagem de dinheiro é justamente o mecanismo que permite dar aparência de legalidade ao patrimônio obtido por meio de crimes, facilitando a manutenção e o fortalecimento das facções.

Departamento terá equipes especializadas

A mensagem do governador destaca que o DRLD contará com estrutura permanente e equipes capacitadas para conduzir investigações patrimoniais e financeiras complexas, além de ampliar a integração entre os setores de inteligência da segurança pública.

Também está prevista a criação de 59 cargos em comissão para compor a nova estrutura administrativa do departamento.

Além disso, segundo informações divulgadas pelo Governo do Estado, o departamento será formado por cinco delegacias especializadas: três na Região Metropolitana de Fortaleza, uma na região Norte e outra na região Sul do Ceará.

Bilhões já foram bloqueados

Na justificativa do projeto, o governador informa que operações realizadas pelas forças de segurança do Ceará voltadas à investigação patrimonial já resultaram no bloqueio judicial de aproximadamente R$ 3,3 bilhões em bens e ativos ligados ao crime organizado.

Segundo o Executivo, esses resultados demonstram que a investigação financeira se tornou uma ferramenta estratégica para descapitalizar organizações criminosas e impedir que continuem financiando suas atividades ilícitas. Os recursos recuperados podem, posteriormente, ser revertidos ao patrimônio público e utilizados em políticas de segurança.

Especialização no combate ao crime organizado

Para o Governo do Estado, a criação do Departamento de Repressão à Lavagem de Dinheiro representa um avanço na especialização da Polícia Civil e busca alinhar a atuação do Ceará às melhores práticas nacionais e internacionais de combate ao crime organizado.

A expectativa é que a nova estrutura torne mais eficientes as investigações sobre lavagem de dinheiro e outros crimes correlatos, fortalecendo a capacidade do Estado de enfraquecer financeiramente as organizações criminosas.

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