Dados biométricos e biológicos de mortos não identificados serão coletados antes do enterro

Medida busca ampliar as chances de identificação e garantir resposta às famílias de pessoas desaparecidas
Corregedor Nacional de Justiça, ministro Mauro Campbell
Corregedor Nacional de Justiça, ministro Mauro Campbell (Foto: Gustavo Moreno/CNJ)

O CNJ determinou que dados biométricos e biológicos de mortos não identificados sejam coletados antes do enterro. A medida busca ampliar as chances de identificação e fortalecer a busca por pessoas desaparecidas. A resolução prevê integração entre Judiciário, cartórios e órgãos de polícia científica.

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) aprovou uma resolução que determina a coleta de informações biométricas e biológicas de pessoas não identificadas antes do sepultamento.

A medida tem como objetivo ampliar as possibilidades de identificação futura dessas pessoas e fortalecer a Política Nacional de Busca de Pessoas Desaparecidas, evitando que informações essenciais sejam perdidas de forma definitiva após o enterro.

Segundo o CNJ, a coleta deverá ocorrer antes do sepultamento, permitindo que dados como impressões digitais, fotografias, material genético e outras informações técnicas possam ser utilizados posteriormente em investigações e cruzamentos de dados.

Medida busca dar resposta às famílias

O corregedor nacional de Justiça, ministro Mauro Campbell Marques, destacou que o desaparecimento de pessoas representa um problema de grande relevância social, com impacto direto sobre a segurança pública, a atuação da Justiça e os direitos das famílias.

Para o CNJ, muitas vezes a coleta de material biológico antes do enterro representa a última oportunidade de preservar informações que poderão permitir a identificação futura da vítima.

Após o sepultamento, esses corpos frequentemente são encaminhados para ossuários coletivos ou cremados, tornando praticamente impossível a recuperação de elementos que poderiam esclarecer o caso.

Cartórios e polícias científicas terão atuação integrada

A resolução prevê maior integração entre o Poder Judiciário, cartórios de registro civil e órgãos de polícia científica.

Pelas novas regras, o sepultamento e o registro do óbito de pessoas não identificadas deverão observar procedimentos destinados a comprovar que a coleta mínima de dados foi realizada.

Também serão estimulados fluxos eletrônicos para compartilhamento seguro de informações entre os órgãos responsáveis, preservando a rastreabilidade e a integridade dos dados.

Objetivo é fortalecer a busca por desaparecidos

Segundo o CNJ, a medida pretende aumentar a eficiência das investigações sobre pessoas desaparecidas e oferecer mais segurança jurídica aos procedimentos de identificação humana.

A expectativa é que a integração entre bancos de dados e a preservação de informações biométricas e biológicas reduzam o número de casos sem identificação e aumentem as chances de resposta às famílias que aguardam notícias de parentes desaparecidos.

A resolução entra em vigor imediatamente, e os tribunais terão prazo para promover as adaptações operacionais necessárias à sua implementação.

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