Em meio a críticas dos EUA ao Pix, cearense que ajudou a criar sistema ganha destaque

Natural de Fortaleza, Ângelo Duarte coordenou a equipe responsável pelas regras de funcionamento do sistema que se tornou referência mundial em pagamentos instantâneos
Engenheiro eletrônico Ângelo José Mont’Alverne Duarte, coordenador da equipe do Banco Central responsável pela regulamentação e pelas regras operacionais do Pix
Ângelo José Mont’Alverne Duarte coordenou a equipe do Banco Central responsável pela regulamentação e pelas regras operacionais do Pix (Foto: Divulgação/BC)

Em meio às críticas dos Estados Unidos ao Pix, ganha destaque a participação do cearense Ângelo Duarte na criação do sistema de pagamentos instantâneos brasileiro. Natural de Fortaleza, ele coordenou a equipe do Banco Central responsável pelas regras e pela regulamentação do Pix. Hoje, o sistema movimenta mais de 60 bilhões de transações por ano e é apontado como uma das maiores inovações financeiras do país.

O Pix voltou ao centro das discussões internacionais após os Estados Unidos concluírem uma investigação comercial que cita o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos entre os fatores que, na avaliação do governo norte-americano, poderiam afetar interesses econômicos de empresas dos EUA.

No momento em que o tema ganha repercussão diplomática e comercial, um nome cearense surge ligado a uma das maiores inovações financeiras do país.

Natural de Fortaleza, o engenheiro eletrônico Ângelo José Mont’Alverne Duarte, formado pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) e doutor em Economia pela Fundação Getulio Vargas (FGV), coordenou a equipe do Banco Central responsável pela regulamentação e pelas regras operacionais do Pix.

Lançado em novembro de 2020, o sistema ultrapassa atualmente 60 bilhões de transações anuais e se consolidou como o principal meio de pagamento utilizado pelos brasileiros.

O papel do cearense

Servidor do Banco Central desde 1998, Duarte assumiu, em 2019, a chefia do departamento criado para estruturar o Pix.

Sua equipe foi responsável por definir os critérios de funcionamento do sistema, incluindo regras de segurança, autenticação, prevenção a fraudes, participação das instituições financeiras e operacionalização das transações.

Também coube ao grupo elaborar a regulamentação que permitiu a integração de centenas de bancos, cooperativas, fintechs e instituições de pagamento à nova plataforma.

Projeto nasceu dentro do Banco Central

Embora a necessidade de um sistema de pagamentos instantâneos já tivesse sido identificada pelo Banco Central em 2015, o setor privado não desenvolveu uma solução nacional nos anos seguintes.

Diante disso, a própria autoridade monetária decidiu criar e operar o sistema, que entrou em funcionamento em 2020.

Um dos principais desafios do projeto foi conectar simultaneamente centenas de instituições financeiras, garantindo que os usuários pudessem realizar transferências entre diferentes bancos desde o primeiro dia de operação.

Impacto além da tecnologia

O Pix rapidamente se transformou em uma ferramenta de inclusão financeira.

O sistema ampliou o acesso aos pagamentos digitais, reduziu a dependência do dinheiro em espécie e facilitou transações entre pessoas físicas, pequenos empreendedores e trabalhadores informais.

Além disso, passou a ser amplamente utilizado no comércio eletrônico, no pagamento de contas e na prestação de serviços, reduzindo custos e aumentando a velocidade das operações financeiras.

Referência internacional

Cinco anos após o lançamento, o Pix é estudado por autoridades monetárias de diversos países e frequentemente citado como um dos casos de maior sucesso na implementação de sistemas de pagamento instantâneo.

A menção ao sistema em uma investigação comercial conduzida pelos Estados Unidos reforçou sua relevância internacional e reacendeu o debate sobre o papel estratégico das infraestruturas financeiras digitais desenvolvidas pelo Brasil.

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