O Pix voltou ao centro das discussões internacionais após os Estados Unidos concluírem uma investigação comercial que cita o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos entre os fatores que, na avaliação do governo norte-americano, poderiam afetar interesses econômicos de empresas dos EUA.
No momento em que o tema ganha repercussão diplomática e comercial, um nome cearense surge ligado a uma das maiores inovações financeiras do país.
Natural de Fortaleza, o engenheiro eletrônico Ângelo José Mont’Alverne Duarte, formado pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) e doutor em Economia pela Fundação Getulio Vargas (FGV), coordenou a equipe do Banco Central responsável pela regulamentação e pelas regras operacionais do Pix.
Lançado em novembro de 2020, o sistema ultrapassa atualmente 60 bilhões de transações anuais e se consolidou como o principal meio de pagamento utilizado pelos brasileiros.
O papel do cearense
Servidor do Banco Central desde 1998, Duarte assumiu, em 2019, a chefia do departamento criado para estruturar o Pix.
Sua equipe foi responsável por definir os critérios de funcionamento do sistema, incluindo regras de segurança, autenticação, prevenção a fraudes, participação das instituições financeiras e operacionalização das transações.
Também coube ao grupo elaborar a regulamentação que permitiu a integração de centenas de bancos, cooperativas, fintechs e instituições de pagamento à nova plataforma.
Projeto nasceu dentro do Banco Central
Embora a necessidade de um sistema de pagamentos instantâneos já tivesse sido identificada pelo Banco Central em 2015, o setor privado não desenvolveu uma solução nacional nos anos seguintes.
Diante disso, a própria autoridade monetária decidiu criar e operar o sistema, que entrou em funcionamento em 2020.
Um dos principais desafios do projeto foi conectar simultaneamente centenas de instituições financeiras, garantindo que os usuários pudessem realizar transferências entre diferentes bancos desde o primeiro dia de operação.
Impacto além da tecnologia
O Pix rapidamente se transformou em uma ferramenta de inclusão financeira.
O sistema ampliou o acesso aos pagamentos digitais, reduziu a dependência do dinheiro em espécie e facilitou transações entre pessoas físicas, pequenos empreendedores e trabalhadores informais.
Além disso, passou a ser amplamente utilizado no comércio eletrônico, no pagamento de contas e na prestação de serviços, reduzindo custos e aumentando a velocidade das operações financeiras.
Referência internacional
Cinco anos após o lançamento, o Pix é estudado por autoridades monetárias de diversos países e frequentemente citado como um dos casos de maior sucesso na implementação de sistemas de pagamento instantâneo.
A menção ao sistema em uma investigação comercial conduzida pelos Estados Unidos reforçou sua relevância internacional e reacendeu o debate sobre o papel estratégico das infraestruturas financeiras digitais desenvolvidas pelo Brasil.