Projeto de lei que cortar benefícios fiscais e arrecadar R$ 19 bilhões para governo

Projeto quer reduzir gastos tributários da União e responsabilizar terceiros por tributos de apostas ilegais
Deputado federal Mauro Benevides Filho
A proposta tramita na Câmara dos Deputados e recebeu parecer favorável do relator na Comissão de Finanças e Tributação (CFT), deputado Mauro Benevides Filho (PDT-CE). Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados

Projeto de Lei Complementar de autoria do deputado José Guimarães (PT-CE) propõe cortar 10% dos incentivos fiscais federais e responsabilizar terceiros por tributos ligados a apostas. Texto recebeu parecer favorável na Comissão de Finanças, sob relatoria de Mauro Benevides Filho (PDT-CE), com ajustes técnicos. Especialistas e o TCU alertam para riscos de cortes lineares e defendem análise criteriosa.

O Projeto de Lei Complementar 182/2025, de autoria do deputado federal José Guimarães (PT-CE), propõe a redução linear de incentivos e benefícios tributários federais e estabelece a responsabilidade solidária de terceiros no recolhimento de tributos ligados à exploração de apostas de quota fixa.

A proposta tramita na Câmara dos Deputados e recebeu parecer favorável do relator na Comissão de Finanças e Tributação (CFT), deputado Mauro Benevides Filho (PDT-CE).

No parecer, Benevides considerou o projeto compatível com as normas financeiras e orçamentárias e recomendou sua aprovação com substitutivo, ajustando pontos técnicos e operacionais do texto.

O que propõe o PLP 182/2025

A proposta prevê a redução de 10% nos benefícios fiscais relacionados a tributos como IRPJ, CSLL, PIS/Pasep, Cofins, IPI e contribuições previdenciárias, com exceções para programas sociais e setores protegidos por imunidades constitucionais. A ideia é limitar gradualmente os chamados gastos tributários, que em 2024 somaram R$ 564 bilhões — o equivalente a 4,8% do PIB, segundo dados do Orçamento de Subsídios da União.

Além disso, o texto também estabelece a responsabilização solidária de instituições financeiras, operadoras de pagamento e empresas de mídia que facilitarem transações ou divulgarem casas de apostas não autorizadas no Brasil. A intenção é combater a sonegação fiscal e equilibrar a concorrência no setor de apostas online.

TCU aponta ineficiências e especialistas pedem revisão criteriosa

Relatório recente do Tribunal de Contas da União (TCU) indicou ineficiências em praticamente todos os maiores gastos tributários federais, alertando para a falta de avaliação sobre a efetividade das isenções e incentivos. O tribunal também apontou a necessidade de maior transparência e controle sobre essas políticas.

Especialistas ouvidos pela Câmara reconhecem o excesso de benefícios fiscais no Brasil, mas alertam para os riscos de cortes lineares indiscriminados, como os propostos no PLP 182/2025. Eles defendem uma abordagem mais seletiva, baseada em impacto socioeconômico e análise de custo-benefício.

Impacto esperado

A estimativa do autor é que o corte nos benefícios gere um acréscimo de R$ 19,76 bilhões na arrecadação federal já em 2026, reforçando o caixa do governo para financiar políticas públicas e reduzir o déficit fiscal.

A medida ainda está em análise nas comissões temáticas da Câmara. Se aprovada, seguirá para o Senado.

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