Corrida pelo comando do MPCE esquenta com definição antecipada de lista tríplice

Apenas três candidatos se inscreveram e acordo quebrado na eleição passada agita bastidores
Fachada do MPCE
Foto: Divulgação/MPCE

A eleição para a nova chefia do Ministério Público do Ceará ocorrerá em 5 de dezembro com três candidatos já definidos: Haley Filho, Herbet Santos e Luciano Percicotti. O atual procurador-geral, Haley, tenta a recondução em meio a tensões internas e à lembrança de um acordo quebrado na disputa anterior. O governador Elmano de Freitas terá liberdade constitucional para escolher entre os três nomes da lista tríplice, independentemente da ordem de votação.

Com apenas três candidatos inscritos, a eleição para a escolha da nova chefia do Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE) no biênio 2026–2027 já tem sua lista tríplice definida — faltando apenas oficializar com a ordem dos mais votados. A disputa oficial ocorre no dia 5 de dezembro, mas os bastidores da sucessão já estão agitados.

Disputam o cargo o atual procurador-geral de Justiça, Haley de Carvalho Filho, que tenta a recondução, o promotor de Justiça Herbet Gonçalves Santos e o procurador de Justiça Luciano Percicotti Santana. A eleição será realizada virtualmente, das 8h às 17h, por meio do Sistema Votus, conforme as regras da Resolução 124/2023-OECPJ, que regulamenta o processo eleitoral.

Tensão após quebra de acordo interno

O clima interno é de acirramento, especialmente após o rompimento de um acordo firmado na última eleição, em 2023. A ideia era que os dois candidatos menos votados da lista tríplice desistissem da disputa, facilitando a nomeação do mais votado. O acordo teria sido firmado na Associação Cearense do Ministério Público (ACMP).

Na ocasião, o promotor Eneas Romero de Vasconcelos obteve 258 votos, seguido por Haley Filho (219) e Lucídio de Queiroz (214). Haley, no entanto, não abriu mão da candidatura e acabou sendo o escolhido pelo governador Elmano de Freitas, gerando mal-estar interno.

Agora, nomes ligados ao grupo na situação tentam retomar o acordo antes desconsiderado. Contudo, ele é considerado juridicamente controverso, pois a Constituição Federal determina que o chefe do Executivo deve nomear o PGJ a partir de uma lista tríplice formada por eleição direta entre os membros da carreira (art. 128, §3º).

Perfis dos candidatos

Haley Filho aposta no peso do cargo que já ocupa e no fato de que o governador Elmano de Freitas optou recentemente por reconduzir a atual defensora pública-geral, Sâmia Farias, mesmo ela tendo ficado em segundo lugar na lista tríplice da Defensoria Pública.

Apesar disso, nos bastidores circula a informação de que Haley não seria o favorito do governador para um novo mandato.

Já Herbet Gonçalves Santos representa a oposição ao grupo que está no comando do MPCE há vários anos. Ele é filho do desembargador Raimundo Nonato Silva Santos, sobrinho do ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Teodoro Silva Santos, e teria bom trânsito entre nomes fortes do PT, partido de Elmano, como o ministro da Educação, Camilo Santana. No MPCE há 10 anos, ele também foi presidente da ACMP, que apoia sua candidatura.

Luciano Percicotti Santana é o único procurador de Justiça entre os postulantes. Ele busca consolidar seu nome como alternativa técnica e de experiência dentro da instituição.

Como funciona a escolha do procurador-geral de Justiça

A escolha do procurador-geral de Justiça dos estados segue o que determina a Constituição Federal, em seu artigo 128, §3º. O processo começa com uma eleição interna entre os membros da carreira — promotores e procuradores de Justiça — na qual cada eleitor pode votar em até três nomes.

Os três candidatos mais votados compõem a chamada lista tríplice, que é enviada ao chefe do Poder Executivo estadual. Cabe ao governador, com total liberdade, escolher qualquer um dos três nomes para exercer o cargo de procurador-geral pelo período de dois anos, com possibilidade de uma recondução.

Não há obrigatoriedade legal de nomear o mais votado. Contudo, ao longo dos anos, essa escolha tem sido observada como uma sinalização de respeito à vontade da categoria. Exceções à prática, como a mais recente na Defensoria Pública do Ceará — quando o governador Elmano de Freitas optou por reconduzir a defensora que ficou em segundo lugar — costumam gerar controvérsia dentro das instituições.

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