A fiscalização do Procon Ceará encontrou irregularidades em postos de combustíveis na Região Metropolitana de Fortaleza que podem gerar prejuízos significativos aos consumidores, especialmente aos que dependem do carro para trabalhar. Em uma das operações recentes, o órgão identificou um estabelecimento que desviava 20% do combustível abastecido.
A fraude foi constatada com o uso do chamado “vasômetro”, recipiente de 20 litros que os postos são obrigados a manter para aferição. Segundo o superintendente do Procon Ceará, Diego Barreto, o equipamento registrava a marcação correta na bomba, mas o volume real entregue era menor.
“Nós constatamos que não estava entrando; estava marcando 20 litros, mas, na verdade, só entrou 16 ali no vazômetro”, afirmou. É um absurdo que não pode ser tolerado”, disse em entrevista ao podcast O Veredito.
Impacto direto no bolso do trabalhador
O órgão fez uma estimativa do impacto financeiro da fraude. Um motorista de aplicativo ou taxista que gaste, em média, R$ 1.000 por semana com combustível pode perder cerca de R$ 200 semanalmente se abastecer em um local com desvio de 20%.
Ao fim de um mês, o prejuízo pode chegar a R$ 800. Em um ano, o valor ultrapassa R$ 9.600.
Para Barreto, trata-se de uma prática que retira recursos do consumidor de forma deliberada.
“É um valor que sai do bolso do trabalhador de forma criminosa.”
Fiscalização e sanções
Além da aferição do volume, o Procon atua na verificação da qualidade dos combustíveis em parceria com a Agência Nacional do Petróleo (ANP) e o Instituto de Pesos e Medidas (IPEM/Inmetro).
Postos flagrados cometendo irregularidades podem sofrer desde lacração de bombas até interdição total do estabelecimento, dependendo da gravidade.
Como denunciar
O Procon Ceará orienta consumidores a ficarem atentos a suspeitas de irregularidade e a registrarem denúncia com o máximo de provas possível, como fotos, vídeos e notas fiscais.
As denúncias podem ser encaminhadas pelo WhatsApp (85 98808-9433) ou presencialmente na sede do órgão, na Praça do Ferreira, no Centro de Fortaleza.
“É importante que as pessoas lutem pelo seu direito”, reforçou o superintendente.