Receber o diagnóstico de autismo de um filho é um processo que transforma completamente a vida de uma família. Para a editora de imagens Samylly Braide, mãe de Caio Braide, 7, a descoberta veio quando o filho tinha apenas dois anos de idade e trouxe sentimentos difíceis, mas também experiências marcadas por acolhimento e empatia.
“A descoberta é uma coisa muito solitária, mesmo quando as pessoas tentam ajudar e acolher”, relata. Segundo ela, o menino tinha um desenvolvimento considerado normal, principalmente na fala, mas de forma repentina deixou de falar completamente. A mudança chamou a atenção da família, que procurou ajuda médica.
Após encaminhamento do pediatra para um neurologista, veio a confirmação do diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA).
A mãe descreve o impacto emocional do momento como um processo de luto. “Parece que você perde um filho, porque olha para a criança de um jeito e depois precisa reaprender tudo”, conta.
Apesar dos desafios, Samylly destaca que encontrou apoio importante nas pessoas ao redor, principalmente nas famílias dos colegas de escola. Para ela, pequenos gestos fizeram uma enorme diferença no desenvolvimento e na socialização do pequeno.
Ela lembra com emoção das atitudes de outras mães, que ensinavam os próprios filhos a entender que Caio precisava de mais ajuda e atenção em determinadas situações. Em apresentações escolares, por exemplo, horários eram adaptados ou pequenos detalhes mudados para que ele pudesse participar de forma mais confortável.
“O fato das pessoas estarem dispostas a mudar pequenas coisas para que o Caio pudesse participar das brincadeiras e apresentações faz toda diferença”, diz.
Segundo Samylly, havia também compreensão sobre os limites do filho em situações simples do cotidiano escolar. Quando a turma precisava tirar fotos, por exemplo, Caio costumava ser colocado na frente porque os colegas entendiam que ele não conseguiria esperar muito tempo.
“Isso ajuda muito na socialização. Se todo mundo ajudasse um pouquinho, conseguiríamos fazer muito mais”, destaca.
A empatia também apareceu em momentos inesperados fora da escola. Samylly lembra de uma situação vivida em um supermercado, quando Caio teve uma crise. “Um rapaz que percebeu, ofereceu um pão de queijo pra ele e ficou ali brincando. Foi um gesto simples, mas que me marcou muito”, relembra.

Barreiras existentes
Mesmo com o acolhimento recebido, o preconceito continua presente. Para Samylly, uma das dores mais difíceis ainda é perceber quando o filho é tratado de maneira diferente pelas pessoas.
“Como os autistas costumam ter crises em lugares públicos por conta de barulho e estímulos visuais excessivos, tem gente que ainda não entende a situação e começa a olhar de forma estranha. Isso nos deixa constrangidos”, explica.
O relato da mãe reforça a importância da informação, da inclusão e, principalmente, da empatia no convívio com crianças autistas.
“Pequenas atitudes de compreensão podem transformar experiências, facilitar a socialização e tornar o mundo mais acolhedor”, finaliza.
