Reforma Tributária pode impulsionar exportação de serviços por empresas brasileiras

Diferença entre a tributação do mercado interno e a alíquota zero nas exportações deve ampliar a atratividade de clientes estrangeiros, avalia especialista
Vista aérea de porto marítimo
Foto: Magnific

A Reforma Tributária pode tornar a exportação de serviços mais atrativa para empresas brasileiras. O mercado interno deverá ter IVA estimado entre 26% e 28%, enquanto as exportações permanecerão com alíquota zero. Especialista alerta que a internacionalização também exige planejamento, capacitação e conhecimento dos mercados externos.

A implementação da Reforma Tributária pode provocar uma mudança significativa na estratégia de crescimento das empresas brasileiras, especialmente nos setores de tecnologia, engenharia, consultoria, software e inteligência artificial.

Com o novo sistema, a prestação de serviços no mercado interno deverá ser submetida à alíquota padrão do Imposto sobre Valor Agregado (IVA), estimada entre 26% e 28%. Já a exportação de serviços permanecerá com alíquota zero.

Para Lisandro Vieira, CEO da WTM, empresa especializada em operações de importação e exportação de serviços e tecnologia, essa diferença tende a tornar o mercado externo mais atrativo para negócios intensivos em conhecimento.

“Como a exportação de serviços terá alíquota zero de IVA, vender para o exterior se tornará mais vantajoso, levando o empresário a desejar o mercado externo para manter a competitividade”, resume Vieira.

Benefício tributário não é suficiente

Apesar do estímulo econômico proporcionado pela mudança na tributação, Vieira pondera que os benefícios fiscais, isoladamente, não transformam uma empresa em exportadora. Segundo ele, a internacionalização também exige investimentos em capacitação, inteligência de mercado, inovação e desenvolvimento de competências para atuação internacional.

Embora os serviços ocupem uma parcela expressiva da economia brasileira, a participação do país no comércio internacional do setor ainda é limitada.

“Hoje, os serviços respondem por apenas cerca de 5% do fluxo internacional de pagamentos, tornando o Brasil deficitário na balança de serviços e evidenciando um espaço importante para crescimento”, ressalta o executivo.

Internacionalização exige preparação

A exportação de serviços vai além da conquista de clientes em outros países. De acordo com o especialista, a decisão precisa ser precedida por um processo estruturado de preparação da empresa.

“Diagnóstico de maturidade internacional, adequação de processos internos, análise de mercados-alvo, definição da estratégia de entrada e preparação das equipes são etapas fundamentais para reduzir riscos e aumentar as chances de sucesso no mercado externo”, relata Vieira.

A preparação ganha importância diante do avanço global do mercado de serviços, impulsionado pela economia do conhecimento e com crescimento superior ao observado no comércio de bens físicos.

“Em uma economia baseada em ativos intangíveis, conhecimento e inovação, a capacidade de comercializar serviços internacionalmente torna-se uma vantagem competitiva, especialmente para pequenas e médias empresas”, explica.

Mercado interno ainda concentra estratégias

Vieira avalia que o tamanho do mercado brasileiro levou muitas empresas a priorizarem historicamente a expansão doméstica. Esse comportamento, porém, pode reduzir a competitividade diante da presença de companhias estrangeiras no país.

“O tamanho do mercado interno historicamente levou muitas empresas a concentrarem seus esforços na expansão doméstica, deixando o mercado externo em segundo plano. No entanto, esse comportamento pode reduzir a competitividade dos negócios brasileiros, à medida que empresas estrangeiras disputam clientes e profissionais qualificados, muitas vezes oferecendo remuneração em moedas mais fortes”, diz o especialista.

Empresas dos setores de tecnologia, software, inteligência artificial, engenharia e soluções digitais possuem, na avaliação do executivo, modelos de negócios com potencial para alcançar clientes de diferentes países sem a necessidade de grandes estruturas físicas.

“Empresas brasileiras de tecnologia, software, inteligência artificial, engenharia e soluções digitais já competem internacionalmente a partir de modelos de negócios altamente escaláveis. O elemento comum entre elas não é apenas a tecnologia, mas uma estratégia consistente de gestão voltada para mercados globais”, afirma Vieira.

Cultura organizacional também precisa mudar

Além dos aspectos comerciais e tributários, a internacionalização depende de mudanças na cultura organizacional. Investimentos em idiomas, experiências no exterior, formação contínua e equipes multiculturais ajudam a preparar os profissionais para atuar em diferentes mercados.

Na WTM, conforme Vieira, mais de 80% dos colaboradores já participaram de viagens internacionais custeadas pela companhia. A empresa também oferece aulas diárias de inglês durante o expediente, reúne profissionais de diferentes nacionalidades e mantém programas de intercâmbio para centros internacionais, como Canadá e Dubai.

“Como resultado desse investimento registramos um crescimento de 60% ao ano em receita”, destaca o CEO.

Para Vieira, a internacionalização deve ser compreendida como uma estratégia de crescimento e sustentabilidade dos negócios, sobretudo diante da expansão da economia baseada em serviços e conhecimento.

“Mais do que uma oportunidade de ampliar mercados, a exportação de serviços é uma estratégia para aumentar a competitividade das empresas brasileiras em uma economia cada vez mais baseada no conhecimento”, comenta.

“O futuro das organizações dependerá da capacidade de transformar inovação e conhecimento em negócios globais. Isso exige gestores preparados para atuar em ambientes multiculturais, compreender diferentes mercados e desenvolver estratégias internacionais. Internacionalizar serviços é, acima de tudo, ampliar horizontes para os negócios, para os profissionais e para o Brasil”, conclui Lisandro Vieira.

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