Começa nesta quinta-feira (28), em Fortaleza, o Jurídico do Nordeste, evento voltado ao mercado jurídico que reúne profissionais, estudantes, gestores e especialistas para discutir temas ligados à transformação da advocacia, inteligência artificial, tecnologia, gestão e novas carreiras no setor.
O encontro será realizado até sexta-feira (29), no Oásis Atlântico Imperial, na Beira Mar, e marca uma reformulação do antigo Congresso de Gestão Jurídica, que passa a adotar uma proposta mais ampla e voltada às mudanças estruturais da profissão.
A programação inclui palestras, painéis, workshops e espaços práticos sobre temas como:
- inteligência artificial no Direito;
- ciência de dados aplicada à advocacia;
- automação jurídica;
- legal operations;
- gestão de escritórios;
- experiência do cliente;
- e novas habilidades exigidas no mercado jurídico.
IA ocupa espaço central na programação
Entre os principais temas do evento está o avanço da inteligência artificial sobre o setor jurídico, assunto que vem ganhando espaço crescente nos tribunais, escritórios e departamentos jurídicos.
Um dos painéis mais aguardados será o da professora Marina Feferbaum, que abordará “A emergência da IA Generativa e seus efeitos sobre as profissões jurídicas”.
A programação também inclui debates sobre:
- automação de prognósticos judiciais;
- uso de tecnologia no Poder Judiciário;
- ciência de dados aplicada à prática jurídica;
- e impactos da IA sobre o mercado de trabalho no Direito.
A discussão acontece em um momento em que o Judiciário brasileiro acelera o uso de ferramentas de inteligência artificial, enquanto cresce também o debate sobre ética, produtividade, riscos de automação e mudanças na atuação dos profissionais da área.
Roberto Quiroga abre o evento
A abertura do Jurídico do Nordeste será conduzida pelo advogado Roberto Quiroga, sócio do escritório Mattos Filho.
Segundo a organização, a escolha busca conectar o evento ao debate sobre inovação, gestão e transformação da advocacia empresarial.
Além da plenária principal, o encontro terá salas simultâneas voltadas à experiência prática dos participantes.
Uma delas é a Sala de Workshop, estruturada para atividades mais interativas, com:
- debates;
- dinâmicas;
- tira-dúvidas;
- e aplicação prática dos conteúdos.
Serão dez workshops distribuídos ao longo dos dois dias.
Haverá ainda a Sala Hands On, espaço voltado à demonstração prática de soluções tecnológicas aplicadas ao setor jurídico.
A proposta é permitir contato direto com ferramentas ligadas a:
- gestão jurídica;
- automação de documentos;
- controladoria jurídica;
- e organização de fluxos internos de escritórios e departamentos.
Segundo a organizadora Thaís Timbó, a proposta é aproximar teoria e prática num momento de mudança acelerada no mercado jurídico.
“O mercado está mudando e as dinâmicas dentro do escritório não ficam para trás. Essas atualizações dentro do Direito são indispensáveis para uma evolução tecnológica no setor. É importante que gestores, profissionais e estudantes estejam por dentro das novidades, preparando-se para quaisquer surpresas que possam surgir”, afirmou.
Gestão, carreira e novas habilidades também entram na pauta
Embora a inteligência artificial concentre parte da atenção do evento, a programação também dedica espaço à discussão sobre:
- gestão de escritórios;
- experiência do cliente;
- saúde mental;
- produtividade;
- e posicionamento profissional.
Entre os temas previstos estão:
- “O Mercado de Escritórios de Advocacia e os Desafios Atuais”;
- “O risco da escassez do profissional do Direito na Era da IA”;
- “As novas carreiras no Direito”;
- e “Habilidades não jurídicas essenciais para o futuro do Direito”.
Direito passa por transformação estrutural
A reformulação do evento acompanha um movimento mais amplo do próprio setor jurídico.
Nos últimos anos, o avanço da tecnologia deixou de afetar apenas tarefas operacionais e passou a atingir áreas estratégicas da advocacia, incluindo:
- produção de documentos;
- análise de dados;
- atendimento ao cliente;
- gestão de processos;
- e previsibilidade de decisões.
Isso vem alterando tanto o perfil de contratação dos escritórios quanto as competências exigidas de advogados, gestores e departamentos jurídicos.