Educação inclusiva garante aprendizado e acolhimento para autistas

Foto mostrando Davi Santos, de 9 anos, de costas. Ele está estudando com um livro sobre mesa na sala de casa
Foto mostrando Davi Santos, de 9 anos, de costas. Ele está estudando com um livro sobre mesa na sala de casa (Foto: Arquivo pessoal)

Davi, de 9 anos, tem TEA e TOD e encontrou na escola apoio para aprender, se comunicar melhor e ganhar autonomia. A inclusão depende de adaptação, acolhimento, profissionais preparados e respeito ao tempo de cada estudante. No Ceará, a rede estadual amplia políticas como AEE, profissionais de apoio, intérpretes de Libras e salas multifuncionais, mas ainda enfrenta o desafio do capacitismo.

Aos 9 anos, Davi Santos descobriu na escola muito mais do que letras, números e brincadeiras. Diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista (TEA) nível 1 de suporte e Transtorno Opositor Desafiador (TOD), ele encontrou no ambiente escolar acolhimento, paciência e estímulos fundamentais para o seu desenvolvimento.

Na sala de aula, o pequeno recebe acompanhamento próximo da professora, que adapta atividades, respeita o tempo da criança e cria estratégias para facilitar sua comunicação, interação e aprendizado. O apoio também parte do colégio, que mantém uma proposta inclusiva e busca garantir que o aluno participe de todas as programações junto aos colegas.

Com rotina organizada, atenção individualizada e incentivo constante, o menino vem conquistando avanços importantes no convívio social e na aprendizagem. “Ele passou a se comunicar melhor, demonstrar mais autonomia e participar das atividades escolares com mais segurança e entusiasmo”, relata a mãe, Silvia Santos.

Como costuma se distrair com facilidade, a pedagoga procura incentivar tarefas pelas quais ele demonstra maior interesse. “Ele adora matemática, então os exercícios nessa área são trabalhados de forma mais detalhada e estimulante, já que é onde apresenta melhor desempenho”, explica.

Além do desenvolvimento acadêmico, a convivência escolar também tem sido fundamental para fortalecer a autoestima, a socialização e a confiança de Davi. Por meio da interação com os amigos e do acompanhamento cuidadoso da equipe pedagógica, ele vem superando desafios e construindo, a cada dia, uma relação mais segura e positiva com o ambiente escolar.

“Embora a convivência esteja cada vez melhor, o dia a dia não é fácil. Como ele tem TOD, muitos ainda confundem esse transtorno com birra. Por isso, enquanto mãe, sempre procuro dialogar com os funcionários do colégio para que juntos possamos servir como apoio às necessidades dele”, esclarece.

Davi Santos, de 9 anos, estudando com um livro sobre mesa na sala de casa
Davi Santos, de 9 anos, estudando com um livro sobre mesa na sala de casa (Foto: Arquivo pessoal)

Inclusão

A inclusão de estudantes com deficiência na rede pública também é fortalecida por políticas desenvolvidas pela Secretaria da Educação do Ceará (Seduc), que visa garantir não apenas o acesso, mas a permanência e a aprendizagem exitosa. Esse trabalho se materializa em três pilares: o fomento ao Atendimento Educacional Especializado (AEE), a contratação de Profissionais de Apoio Escolar (PAE) e Intérpretes de Libras, além da implantação de Salas de Recursos Multifuncionais (SRM).

A formação para educação inclusiva é realizada pelos Centros de Referência em Educação e Atendimento Especializado, dispondo de capacitações específicas. O acompanhamento das escolas é realizado pelas regionais da Seduc, que monitora a aplicação das políticas inclusivas no cotidiano escolar. Atualmente, a rede estadual conta com 489 Salas de Recursos Multifuncionais e atende cerca de 17,9 mil estudantes da educação especial, entre alunos com deficiência, autismo e altas habilidades.

Apesar dos avanços, o principal desafio ainda é combater o capacitismo e fortalecer uma cultura de equidade e respeito às diferenças. “O avanço real depende da evolução da consciencia social e da formação proissional focada na equidade, asegurando que o processo de ensino considere a especificade de cada estudante”, reforça a instituição.

O que diz a Lei Berenice Piana

Criada em 2012, a Lei Berenice Piana institui a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista. Os principais direitos educacionais estabelecidos pela legislação incluem:

Matrícula Obrigatória: É direito inalienável do aluno autista estudar em escolas regulares. Recusar a matrícula é crime.

Acompanhante Especializado: Em casos de comprovada necessidade, o aluno tem direito a um profissional de apoio escolar para auxiliar em atividades de comunicação, interação social, locomoção e alimentação, sem custo adicional para a família.

Adaptação e Apoio: A instituição de ensino deve oferecer adaptação de materiais didáticos, respeitando o ritmo e as necessidades individuais do estudante.

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