A disputa pelo cargo de Defensor Público Geral do Estado do Ceará, que terá a formação da lista tríplice no próximo dia 3 de outubro, tem na campanha três pilares, a valorização da carreira, a interiorização e a inovação tecnológica.
Esses são os pontos em comum nas campanhas de Elizabeth Chagas e Sâmia Farias. Ambas, que já ocuparam os cargos mais altos da Defensoria, protagonizam o centro do debate. Sâmia é a atual Defensora Pública Geral e foi subdefensora na gestão anterior de Elizabeth. Agora, as duas disputam entre si o comando da instituição, após terem sido aliadas até o biênio encerrado em 2023.
Além delas, também concorrem ao cargo do defensores Adriano Leitinho Campos e Weimar Salazar Montoril. Os quatro foram procurados por O Veredito para apresentarem suas propostas, mas apenas as duas candidatas responderam.
Propostas
Elizabeth Chagas, que comandou a Defensoria por dois mandatos, afirma que sua nova candidatura nasce de um chamado coletivo e do desejo de “avançar com mais presença, visibilidade e mais atuação. E, além disso, queremos uma Defensoria mais interiorizada, que se importe e entenda as necessidades de quem faz parte dela e acolha seus assistidos e assistidas”.
Em suas propostas, destaca cinco frentes principais: valorização dos defensores, expansão da atuação no interior, inovação tecnológica, fortalecimento de projetos sociais e estruturação institucional.
Ela afirma que a experiência adquirida nos mandatos anteriores poderá ser essencial para “um crescimento firme e forte da instituição”, com foco na melhoria das condições de trabalho, no diálogo institucional e na aproximação da população mais vulnerável.
Já Sâmia Farias, que tenta a recondução ao cargo, afirma que sua gestão foi marcada por avanços estruturais e consolidação da presença no interior. Ela cita conquistas como a nomeação de 24 novos defensores, a entrega de 9 novas sedes, a criação do Gabinete de Segurança Institucional, recordes de atendimentos e ampliação no número de estagiários e assessores.
Para o novo mandato, Sâmia propõe “um ciclo de estabilidade institucional”, com continuidade de programas, novas parcerias, fortalecimento da atuação extrajudicial e ampliação da presença nos municípios, além de uma nova sede de atendimento na capital.
Ela também fala em ˜investir em inovação tecnológica, fortalecer núcleos especializados e garantir cada vez mais acesso aos direitos”, inclusive na atuação extrajudicial.
Ruptura
Sobre o fim da parceria entre as duas defensoras, que atuaram juntas na gestão passada, apenas Sâmia se manifestou. Em tom diplomático, afirmou que “a candidatura é um direito legítimo” e que sua motivação está no compromisso institucional. Já Elizabeth optou por não comentar diretamente sobre a ruptura.
Para os defensores, os desafios para a instituição incluem demandas por segurança, estrutura, valorização e maior interiorização — temas abordados no mapeamento divulgado pela Associação das Defensoras e dos Defensores Públicos do Estado do Ceará (Adpec).
Ambas as candidatas reconheceram a importância do levantamento da Adpec, que revelou, por exemplo, que 61,8% dos defensores já sofreram algum tipo de ameaça no exercício da função, e 72,9% consideram insuficiente o número de colaboradores.
Enquanto Elizabeth classificou os dados como importantes e prometeu analisar cada ponto, Sâmia afirmou que já vem adotando medidas estruturantes, como o gabinete de segurança e o reforço nas equipes de apoio.
Lista tríplice
A eleição para o cargo de defensor(a)-geral ocorre em três etapas. Primeiro, defensores públicos votam entre os candidatos habilitados. Os três mais votados formam a lista tríplice. Essa lista é então encaminhada ao governador do Estado, que tem a prerrogativa de escolher qualquer um dos três nomes, independentemente da ordem de votação.
A nomeação ainda precisa ser aprovada pela Assembleia Legislativa do Ceará (Alece).
O mandato tem duração de dois anos, com possibilidade de recondução.