Obra irregular da prefeitura em frente a hotel de luxo em Jericoacoara é embargada

Intervenção da prefeitura de Jijoca tentava conter avanço do mar, segundo conselho comunitário
Embargo a obra irregular em Jericoacoara
A operação contou com agentes da SPU, do ICMBio e apoio da Polícia Militar. Foto: Reprodução

Agentes da SPU e do ICMBio embargaram uma obra da Prefeitura de Jijoca na faixa de praia de Jericoacoara, executada sem autorização federal nem placas de licença. A intervenção, feita para conter o avanço do mar em frente a um hotel de luxo, violou regras que exigem autorização prévia da União e licenciamento ambiental para qualquer obra em área de praia — bens públicos federais por definição constitucional. Moradores já alertavam para ações improvisadas que agravam a erosão na orla. O embargo ocorre em área que também integra o Parque Nacional de Jericoacoara, onde o ICMBio tem competência para fiscalizar impactos ambientais.

A Superintendência de Patrimônio da União (SPU) embargou, nesta segunda-feira (17), uma obra realizada pela Prefeitura de Jijoca de Jericoacoara na faixa de praia da Vila de Jeri, um dos destinos turísticos mais prestigiados do país. A intervenção — construída para conter o avanço do mar em frente a um hotel de luxo — estava sendo executada sem autorização federal, sem placas indicativas e sem os estudos ambientais obrigatórios.

A operação contou com agentes da SPU, do ICMBio e apoio da Polícia Militar. Em vídeo gravado durante o embargo, o superintendente do Patrimônio da União no Ceará, Fábio Galvão, explicou que “qualquer obra em faixa de praia precisa ter autorização do Patrimônio da União. Mesmo entes públicos realizando a obra, precisam solicitar ao Patrimônio da União”, reforçou.

O que diz a lei: por que a obra foi embargada?

A faixa de praia é bem da União, conforme o art. 20, IV, da Constituição Federal. Isso significa que qualquer intervenção — seja pública ou privada — depende obrigatoriamente de autorização da SPU, órgão responsável por administrar, fiscalizar e proteger os bens da União ao longo do litoral brasileiro.

Além disso:

Obras em área de praia exigem:

• Autorização prévia da SPU
• Licenciamento ambiental competente
• Análise de impacto sobre ecossistemas costeiros, especialmente quando se busca conter erosão ou avanço do mar
• Placas informativas e documentação visível no local

No caso de Jericoacoara, a obra foi realizada sem autorização da SPU, sem qualquer placa e sem comprovação de licença ambiental.

Colagem de fotos mostrando embargo a obra na praia de Jericoacoara
A obra em frente a um hotel em Jericoacoara foi realizada sem autorização da SPU. Foto: Reprodução

Papel do ICMBio

Jericoacoara está dentro do Parque Nacional de Jericoacoara, unidade de conservação federal.

Por isso, o ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) é responsável por:

• Fiscalizar impactos ambientais na área protegida
• Vetar obras que possam afetar dunas, fauna, flora e dinâmica costeira
• Atuar junto à SPU quando a intervenção ocorre em bens da União superpostos a unidades de conservação

A obra embargada está justamente na área sob dupla proteção: bem da União + parque federal.

Moradores já haviam alertado

Quatro dias antes do embargo, o Conselho Comunitário da Vila de Jericoacoara publicou vídeo denunciando que hotéis e restaurantes estão improvisando contenções sem base técnica, agravando a erosão e colocando o turismo em risco.

O texto também cobra a Prefeitura, que há mais de dois anos não conclui a contratação de um estudo técnico do Labomar/UFC sobre o avanço das marés.

Ambiente em risco e turismo ameaçado

A erosão da orla de Jericoacoara se intensificou nos últimos anos. Sem ordenamento urbano adequado e sem estudos técnicos, intervenções improvisadas podem alterar a dinâmica das marés e agravar os danos ambientais — reflexo que motivou a atuação imediata da SPU e do ICMBio.

A SPU reforçou que seguirá fiscalizando os 573 km de litoral do Ceará e que qualquer obra irregular poderá gerar novas autuações.

Até o fechamento desta matéria, a Prefeitura de Jijoca não havia se manifestado sobre o embargo.

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