Desafios e perspectivas para a inclusão plena de pessoas com deficiência

O advogado Emerson Damasceno, presidente da Comissão da OAB-CE, aparece em um auditório oficial. Ele é um homem pardo, de terno cinza e gravata verde, e está sentado em sua cadeira de rodas. Na foto, ele fala ao microfone e gesticula com a mão esquerda. Ao fundo, vê-se uma parede preta com a inscrição dourada "do Estado do Ceará"
O advogado Emerson Damasceno, presidente da Comissão da OAB-CE, aparece em um auditório oficial. Ele é um homem pardo, de terno cinza e gravata verde, e está sentado em sua cadeira de rodas. Na foto, ele fala ao microfone e gesticula com a mão esquerda. Ao fundo, vê-se uma parede preta com a inscrição dourada "do Estado do Ceará".

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O Brasil possui hoje uma das legislações mais avançadas do mundo na proteção dos direitos das pessoas com deficiência. No entanto, o grande desafio atual reside na implementação prática dessas normas para garantir, em todos os níveis, a plena inclusão e acessibilidade.

Essa é a análise do advogado Emerson Damasceno, presidente da Comissão de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência da OAB-CE. Paraplégico e atuante na causa, ele ressalta que, embora o país tenha avançado, o ritmo de efetivação das políticas públicas precisa ser acelerado para acompanhar as necessidades da população.

O caminho para a agilidade nas políticas públicas

Segundo Damasceno, a morosidade na execução e fiscalização de medidas inclusivas é um fenômeno observado em todo o país. Para o especialista, o foco deve estar na criação de mecanismos que tornem a gestão pública mais ágil e eficiente na entrega de resultados.

“Embora haja um inegável avanço, o tempo de espera por medidas efetivas ainda é um obstáculo para muitas pessoas com deficiência”, afirma.

O advogado pontua que garantir o direito de ir e vir com autonomia, especialmente em áreas de maior vulnerabilidade, é um dos pontos que requerem atenção prioritária dos gestores.

Legislação como base para superar o capacitismo

O arcabouço jurídico brasileiro, sustentado pela Lei Brasileira de Inclusão (LBI) e pela Convenção da ONU, é sólido. O próximo passo é superar as barreiras culturais, como o capacitismo, que ainda influenciam a percepção social.

Para Damasceno, é preciso evoluir em dois pontos centrais:

  • Superar o assistencialismo: Reconhecer a autonomia e a capacidade das pessoas com deficiência.
  • Focar nas barreiras sociais: Entender que a deficiência não é algo a ser “vencido” individualmente, mas que a sociedade deve remover os obstáculos que impedem a participação de todos.

Impactos da acessibilidade na cidadania

A falta de infraestrutura acessível gera impactos que reverberam por toda a vida do cidadão. Quando uma criança encontra barreiras físicas ou de transporte, isso reflete em:

  • Acesso à educação e saúde;
  • Desenvolvimento profissional e empregabilidade;
  • Exercício pleno da democracia e participação social.

Ações integradas e o papel da OAB-CE

A Comissão da OAB-CE tem buscado atuar como uma ponte entre a sociedade e o Poder Público, promovendo diálogos e contribuindo com sugestões técnicas. Entre as frentes de trabalho, destacam-se:

  • Projeto Conselhos em Rede: Parceria com o Ministério Público (MPCE) e APRECE para fortalecer o controle social nos municípios.
  • Inclusão no Judiciário: Diálogo constante para garantir acessibilidade a advogados e cidadãos neurodivergentes ou com deficiência física.
  • Exemplos de Sucesso: A implantação da sala de regulação sensorial na Justiça Federal no Ceará como modelo de acolhimento.

Iniciativas e avanços do Governo do Estado

O cenário atual também é marcado por avanços importantes. O Governo do Ceará, por meio da Política Estadual da Pessoa com Deficiência, tem estabelecido diretrizes transversais para o enfrentamento ao preconceito e garantia de direitos.

Com a adesão ao plano nacional Novo Viver Sem Limite em 2024, o Estado ampliou a articulação entre secretarias de Saúde, Educação e Proteção Social. Para Damasceno, o caminho para o sucesso dessas iniciativas é o protagonismo: “É fundamental que as pessoas com deficiência participem ativamente das decisões que dizem respeito às suas vidas”.

Banner horizontal do projeto “Direito de Acesso”. À esquerda, fundo azul com o título “Direito de Acesso”, sendo “Direito de” em azul claro e “Acesso” em branco, acompanhado de um traço curvo abaixo da palavra. À direita, em fundo claro, aparecem as identificações institucionais: “Realização: O Veredito”; “Patrocínio: Assembleia Legislativa do Estado do Ceará (ALECE)”; e “Apoio institucional: OAB Ceará”, com suas respectivas logomarcas.

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