Executivo que anunciou carro voador em Fortaleza é condenado em caso de criptomoedas

José Carlos de Mello Mas recebeu pena de mais de oito anos em sentença de primeira instância
Arte com o veículo eVtol, carro voador da Vertical Connect
Foto: Vertical Connect /Divulgação

José Carlos de Mello Mas foi condenado em primeira instância no caso da Operação Criptogolpe. Ele também é identificado como diretor de estratégia da Vertical Connect, startup que apresentou um eVTOL em Fortaleza. Em 2025, a Finep contestou o anúncio de um aporte de quase R$ 60 milhões à empresa.

José Carlos de Mello Mas, apontado pela Justiça como líder de um esquema de pirâmide financeira e fraude com criptomoedas falsas, foi condenado a 8 anos, 3 meses e 5 dias de reclusão, em regime inicial fechado. A sentença, de primeira instância, foi proferida pela 1ª Vara Criminal de Sorocaba (SP), cinco anos depois da Operação Criptogolpe.

Mello Mas também é ligado à Vertical Connect, startup que desenvolve aeronaves elétricas de decolagem e pouso vertical, conhecidas como eVTOLs. A empresa chegou a apresentar um modelo em Fortaleza, em janeiro do ano passado.

O site da Vertical Connect identifica seu fundador e diretor de estratégia como Carlos Mello. Já o site da JMAS Aviation informa que José Carlos de Mello Mas fundou e administra a empresa e o apresenta como CSO — diretor de estratégia, na sigla em inglês — da Vertical Connect.

O Veredito não conseguiu contato com Mello Mas até a publicação desta reportagem.

Condenação no caso da Operação Criptogolpe

Segundo o G1, a sentença condenou oito réus e absolveu outros três por falta de provas. Além de Mello Mas, os condenados receberam penas que variam de 4 anos e 8 meses a 7 anos, 3 meses e 26 dias de reclusão. A decisão também fixou em R$ 2,465 milhões o valor mínimo para reparação dos danos materiais às vítimas.

A investigação do Ministério Público e da Polícia Civil apurou um esquema que atraía investidores pela internet com a promessa de aplicações em criptomoedas. Segundo a reportagem, os valores não eram investidos. O grupo também recorria a anúncios em redes sociais e na televisão e à participação de pessoas influentes para transmitir aparência de segurança ao negócio.

A sentença é de primeira instância e, portanto, não deve ser apresentada como definitiva. A condenação diz respeito ao caso das criptomoedas. As informações disponíveis não indicam que a Vertical Connect ou seus projetos de aeronaves tenham sido envolvidos no esquema.

Aporte anunciado e contestação da Finep

Em janeiro de 2025, a Vertical Connect divulgou à imprensa em Fortaleza que receberia quase R$ 60 milhões da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) para desenvolver projetos de aviação sustentável, incluindo eVTOLs com células de hidrogênio.

Na ocasião, a Finep contestou a informação. De acordo com a instituição, duas propostas da empresa haviam sido inabilitadas e uma terceira ainda estava em análise.

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