O que muda após STF formar maioria contra ‘revisão da vida toda’ do INSS?

Quem já recebe pela revisão terá o benefício reduzido, mas não será necessário devolver os valores recebidos
Fachada da sede do Instituto Nacional do Seguro Social, INSS
Todos os processos pendentes deixarão de reconhecer o direito à revisão. Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

O STF formou maioria para derrubar a revisão da vida toda, impedindo que segurados incluam contribuições anteriores a 1994 no cálculo das aposentadorias. Quem ganhou ações até abril de 2024 não precisará devolver valores, mas terá o benefício reduzido daqui para frente. A decisão vale para todo o país e encerra definitivamente a tese, apesar de votos ainda pendentes.

O Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria para derrubar definitivamente a chamada revisão da vida toda, tese que permitia a aposentados do INSS recalcular o benefício incluindo contribuições anteriores a julho de 1994 — período anterior ao Plano Real.

A decisão, porém, veio com um alívio importante: os segurados que ganharam ações até 5 de abril de 2024 não precisarão devolver valores recebidos, nem pagar custas processuais ou honorários de sucumbência à União.

Como ficou o placar

Até agora, seis ministros já acompanharam o relator, Alexandre de Moraes, votando contra a revisão e pela não devolução dos valores:

• Alexandre de Moraes (relator)
• Cristiano Zanin
• Gilmar Mendes
• Luís Roberto Barroso (já aposentado)
• Cármen Lúcia
• Kassio Nunes Marques

Votaram a favor da revisão:

• Rosa Weber (antes de se aposentar)
• André Mendonça

Ainda faltam votar: Edson Fachin, Luiz Fux e Dias Toffoli.

O julgamento ocorre no plenário virtual e está previsto para terminar às 23h59 desta terça (25).

O que acontece com quem já recebe pela revisão?

Para quem ganhou na Justiça antes de 5 de abril de 2024, ficam garantidos:

• Manutenção dos valores já recebidos
• Ausência de devolução
• Dispensa de custas, honorários e perícias

No entanto, o benefício será reduzido daqui em diante, conforme o cálculo atual previsto em lei.

Quem ainda tinha processos em andamento?

Todos os processos pendentes deixarão de reconhecer o direito à revisão. Ou seja:

• A tese não poderá mais ser aplicada
• Benefícios não poderão incluir salários anteriores a 1994
• Aposentadorias em discussão serão recalculadas conforme regra padrão

A decisão tem efeito vinculante, valendo para todo o país.

Por que a revisão foi derrubada?

O voto decisivo veio do ministro Kassio Nunes Marques, que reforçou posição contrária tomada desde 2022 — quando, faltando minutos para o fim do julgamento no plenário virtual, ele pediu destaque e levou o caso ao plenário físico, impedindo a aprovação naquele momento.

Em 2024, ao julgar processos antigos sobre fator previdenciário, o STF já havia sinalizado contrariedade à tese. A votação atual apenas confirma a guinada.

Alexandre de Moraes e Cármen Lúcia, que antes eram favoráveis, mudaram seus votos, o que consolidou a virada.

O governo federal estimava impacto de até R$ 480 bilhões se a revisão fosse aplicada — valor contestado por especialistas, já que somente segurados com salários altos antes de 1994 se beneficiariam.

O que é, afinal, a revisão da vida toda?

Era um pedido para que o INSS considerasse todas as contribuições ao longo da vida, inclusive anteriores ao Plano Real, e não apenas as feitas após julho de 1994.

A tese beneficiava, principalmente:

• Trabalhadores que tinham salários maiores antes de 1994
• Pessoas prejudicadas pela regra de transição da reforma de 1999

Depois da reforma de 2019, o cálculo ficou ainda mais limitado — e a revisão passou a ser vantajosa para um grupo cada vez menor.

O que ainda pode acontecer?

Apesar da maioria formada, há cenários possíveis até o fim do julgamento:

• Pedido de vista (mais prazo de análise)
• Pedido de destaque (que levaria o caso ao plenário físico) — considerado improvável
• Mudança de voto de ministros faltantes

O voto mais imprevisível é o de Edson Fachin, que já defendeu a tese anteriormente e tem histórico de decisões favoráveis a direitos sociais.

Mesmo assim, não há mais votos suficientes para virar o placar.

O que muda agora para aposentados e pensionistas

Com a provável conclusão do julgamento, ficam definidos:

  • Fim da revisão da vida toda
  • Redução dos benefícios de quem recebeu por decisão judicial, daqui em diante
  • Nenhuma devolução de valores pagos até 5 de abril de 2024
  • Processos pendentes deixarão de reconhecer o direito

A decisão dá segurança fiscal ao governo, mas frustra aposentados que aguardavam definição há anos — muitos deles já com decisões favoráveis revertidas posteriormente.

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