Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional age para antecipar disputas judiciais sobre a reforma tributária

Grupo já identificou cinco temas que podem gerar contencioso, incluindo regras de aproveitamento de créditos da CBS e do IBS
Procuradora-geral da Fazenda Nacional, Anelize Ruas de Almeida, em palestra
Segundo a procuradora-geral da Fazenda Nacional, Anelize Ruas de Almeida, o grupo já identificou cinco temas que podem gerar contencioso tributário nos próximos anos. Foto: Divulgação/PGFN

A Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional criou uma “incubadora de teses” para identificar possíveis disputas judiciais relacionadas à reforma tributária. O grupo já mapeou cinco temas que podem gerar litígios, incluindo regras sobre créditos da CBS e do IBS. A PGFN também discute mudanças na competência da Justiça para evitar insegurança jurídica quando os novos tributos entrarem em vigor.

A Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) criou uma “incubadora de teses” para mapear possíveis disputas judiciais relacionadas à reforma tributária aprovada no país. A iniciativa tem como objetivo antecipar conflitos jurídicos, preparar a atuação da União em eventuais processos e, se necessário, propor ações para confirmar a constitucionalidade das novas regras.

Segundo a procuradora-geral da Fazenda Nacional, Anelize Ruas de Almeida, o grupo já identificou cinco temas que podem gerar contencioso tributário nos próximos anos.

Um dos pontos mais sensíveis envolve a exigência de pagamento prévio de tributos para que o elo seguinte da cadeia produtiva possa utilizar créditos da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS).

“A gente já tem percebido, seja em congressos, seja em revistas, seja em conversas com a advocacia privada, algumas teses tributárias que podem ser levadas ao Judiciário e podem gerar um contencioso”, afirmou a procuradora-geral em entrevista coletiva concedida na terça-feira (10).

Antecipação de disputas

A estratégia da PGFN busca acompanhar o debate jurídico ainda na fase inicial da implementação da reforma tributária, que começará a produzir efeitos a partir de 2027, com a introdução da CBS e do IBS.

A ideia é que a chamada incubadora funcione como um laboratório interno de monitoramento de teses jurídicas, permitindo que o órgão identifique antecipadamente potenciais questionamentos e organize a defesa da União.

Além disso, a Procuradoria avalia a possibilidade de ajuizar ações para confirmar a constitucionalidade das novas normas, evitando um cenário de insegurança jurídica.

Competência da Justiça preocupa

Outro ponto destacado por Anelize Almeida diz respeito à definição de qual ramo do Judiciário será responsável por julgar disputas envolvendo os novos tributos.

Pelo modelo atual, o IBS poderia gerar ações na Justiça Estadual, enquanto a CBS ficaria sob competência da Justiça Federal. Para a procuradora-geral, essa divisão pode provocar decisões divergentes e aumentar a insegurança jurídica.

Segundo ela, o cenário também poderia sobrecarregar o Superior Tribunal de Justiça (STJ) com conflitos de interpretação entre tribunais.

“O que me parece absolutamente necessário? Uma PEC para mudar as competências do STJ e da Justiça Federal. Eu acho que vai passar por isso”, afirmou.

Debate ainda em aberto

Apesar das discussões, o modelo definitivo de competência judicial ainda não foi definido.

“Não tem uma decisão se vão vir todas as ações para a Justiça Federal, se vai manter uma parte da Justiça Federal e uma parte da Justiça Estadual. Nada disso está definido ainda”, disse a procuradora-geral.

A definição, segundo ela, dependerá de decisões institucionais do Poder Judiciário e de eventuais mudanças constitucionais.

A reforma tributária é considerada uma das mais amplas mudanças no sistema fiscal brasileiro nas últimas décadas, e especialistas já preveem que sua implementação deverá gerar intenso debate jurídico nos tribunais.

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