Nova Tributação muda o jogo: Porque 2026 será decisivo para as empresas

72% das empresas brasileiras ainda não estão preparadas para adaptar processos de pagamento a fornecedores
Renato Ewerton de Melo Pereira Silva, advogado especialista em direito empresarial e atua em todo o Brasil pelo RDS Advogados Associados
Renato Ewerton de Melo Pereira Silva é advogado especialista em direito empresarial e atua em todo o Brasil pelo RDS Advogados Associados (Foto: Arquivo pessoal)

Muitas empresas mantêm contratos sociais antigos e genéricos que já não refletem a realidade do negócio. O problema aparece quando surgem conflitos como saída de sócios, sucessão, disputas familiares ou crises de gestão. Revisar o contrato social deixa de ser burocracia e passa a ser medida estratégica de proteção da empresa.

A Reforma Tributária instaurada redefine decisões estratégicas ao promover uma transformação estrutural que, além de simplificar o sistema de arrecadação, busca alinhá-lo a práticas mais lógicas e modernas.

Este ano, foi iniciada a fase de transição, que será concluída em 2033, e o foco inicial é a calibragem das alíquotas e os testes do sistema. A mudança afetará não apenas os encargos tributários, mas também os fundamentos essenciais dos negócios, sendo um movimento que envolve toda a gestão da empresa.

Essa alteração ocorre em um contexto econômico de pressão sobre margens e juros ainda elevados, o que reduz a margem de erro das decisões executivas.

Dados divulgados recentemente na imprensa mostram que 72% das empresas brasileiras ainda não estão preparadas para adaptar processos de pagamento a fornecedores, especialmente na emissão, recepção e conciliação de notas fiscais com os novos tributos, conforme pesquisa da V360 com 355 empresas de médio e grande porte.

A nova lógica fiscal exige uma revisão das estruturas de custos e precificação, pois, se não calibrada, pode gerar distorções relevantes. A adaptação requer uma visão clara dos impactos setoriais, a fim de prever seus efeitos.

Atenção à precificação

A lógica do Imposto sobre Valor Agregado (IVA) altera profundamente a formação de créditos e débitos ao longo da cadeia. Esse movimento exigirá uma revisão abrangente de custos, critérios e políticas de preços para que a empresa garanta competitividade.

Em outro ponto, é crível observar que a reforma afeta o capital de giro e o fluxo de caixa, pois as mudanças na data de recolhimento e na recuperação de créditos alterarão o financeiro. Dado o cenário de juros elevados, esses alongamentos no ciclo financeiro podem resultar em custos adicionais.

A competitividade das empresas com a reforma

O governo buscou maior neutralidade tributária, simplificação e previsibilidade, com o fito de inserir o país de forma mais assertiva em cadeias globais.

O cenário exige alta eficiência operacional e clareza regulatória, apoiadas por capacidades como gestão integrada de custos e, principalmente, governança e compliance. A regulação tende a trazer operações com custos mais transparentes, preços mais consistentes e menor incerteza jurídica.

Finalmente, a reforma tributária representa um teste de maturidade gerencial das companhias, exigindo revisão de modelos de gestão, estruturas de custo e processos decisórios. O momento de ajuste é 2026, que deve ser encarado como uma mudança estrutural, e não apenas tributária , permitindo às empresas enfrentar desafios e capturar oportunidades de forma mais efetiva.

Renato Ewerton de Melo Pereira Silva é advogado especialista em direito empresarial e atua em todo o Brasil pelo RDS Advogados Associados

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