STF forma maioria para liberar pagamento retroativo de penduricalhos

Julgamento discute se verbas indenizatórias, gratificações e auxílios devem respeitar limite de 35% do teto do funcionalismo
Fachada do palácio do Supremo Tribunal Federal (STF)
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

O STF formou maioria para liberar o pagamento retroativo dos chamados penduricalhos a integrantes do sistema de Justiça. A discussão envolve verbas indenizatórias, gratificações e auxílios que podem fazer a remuneração ultrapassar o teto do funcionalismo. A maior parte dos votos defende limite de 35% do teto, mas Luiz Fux sustenta que direitos já adquiridos devem ser pagos integralmente.

O Supremo Tribunal Federal formou maioria para liberar o pagamento retroativo de verbas conhecidas como “penduricalhos” a integrantes do sistema de Justiça, como juízes, promotores e procuradores.

O julgamento ocorre em ambiente virtual e ainda não foi concluído. A votação segue até a próxima terça-feira (30), e quatro ministros ainda precisam votar.

Os penduricalhos são benefícios, indenizações, gratificações e auxílios pagos a servidores públicos que, somados ao salário, podem fazer a remuneração ultrapassar o teto constitucional do funcionalismo público. Atualmente, esse teto corresponde ao salário dos ministros do STF, de R$ 46,3 mil.

Limite de 35%

Em março, o STF decidiu, por unanimidade, que indenizações adicionais, gratificações e auxílios devem ser limitados a 35% do valor do salário dos ministros da Corte.

Com esse entendimento, integrantes do sistema de Justiça poderiam receber até R$ 62,5 mil mensais, somando o teto constitucional e os valores adicionais permitidos.

No julgamento atual, os ministros analisam a possibilidade de pagamento retroativo dessas verbas. Até agora, votos de ministros como Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes, Cristiano Zanin, Edson Fachin e Flávio Dino propuseram que os pagamentos respeitem o limite de 35% do teto.

Fux defende reparação integral

O ministro Luiz Fux também votou pela liberação dos pagamentos retroativos, mas apresentou uma posição diferente quanto ao limite.

Para ele, não deve haver teto para o pagamento de direitos já adquiridos, como férias e licenças não aproveitadas. O argumento é que, nesses casos, a reparação deve ser integral.

A divergência mostra que, embora já haja maioria para permitir os pagamentos retroativos, ainda existe debate sobre a forma de aplicação do limite e sobre quais verbas devem ou não ser submetidas ao teto adicional de 35%.

Entenda a discussão

A controvérsia envolve a remuneração de agentes públicos que recebem verbas além do salário-base. Esses valores podem ser classificados como indenizações, auxílios, gratificações ou outros adicionais.

Na prática, quando esses pagamentos não entram no cálculo do teto constitucional, a remuneração final pode ultrapassar o limite aplicado ao funcionalismo público.

Por isso, o STF tenta definir parâmetros para diferenciar pagamentos legítimos de verbas que funcionem como acréscimos permanentes à remuneração.

Julgamento ainda pode ter mudanças

Apesar da maioria formada, o resultado final ainda depende da conclusão do julgamento virtual. Até o encerramento, ministros podem apresentar novos votos, acompanhar entendimentos já apresentados ou modificar posicionamentos.

A decisão terá impacto sobre o pagamento de valores retroativos a membros do Judiciário e do Ministério Público e pode orientar a forma como tribunais e órgãos públicos tratam verbas indenizatórias e benefícios adicionais.

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