A Brisanet elevou o tom contra concorrentes no mercado de telecomunicações no Nordeste e acusou outras empresas de praticarem o que chamou de “algo similar a dumping” tanto na banda larga fixa quanto na telefonia móvel. A crítica foi feita pelo CEO da operadora, José Roberto Nogueira, durante conferência com analistas realizada nesta quarta-feira (13), após a divulgação dos resultados do primeiro trimestre. As informações são do Teletime.
Segundo o executivo, a pressão competitiva tem ocorrido principalmente por meio de preços muito baixos, que, na visão da companhia, não se sustentariam economicamente no longo prazo. Apesar disso, ele afirmou que a Brisanet não pretende reagir com corte de preços.
“Não vamos entrar na guerra de preço baixando o tíquete”, disse.
Banda larga: disputa por preço no Nordeste
Ao comentar o cenário da banda larga, Nogueira afirmou que a Brisanet oferece planos de fibra óptica a partir de R$ 80 por mês, enquanto concorrentes estariam vendendo o mesmo serviço por R$ 50.
Segundo ele, a prática não se restringe a pequenos provedores. O CEO também apontou que grandes operadoras têm usado ofertas combinadas com streaming incluído, o que pressiona ainda mais a disputa comercial.
“Estão fazendo algo similar a dumping, mas não estão tendo resposta em crescimento”, afirmou. “Nas mesmas cidades em que operamos, nós crescemos mais”, completou.
De acordo com os números apresentados pela empresa, a Brisanet ativou cerca de 13,1 mil novos acessos de banda larga no primeiro trimestre, encerrando o período com 1,56 milhão de clientes no serviço.
Combos com streaming e pressão sobre o tíquete
Nogueira também afirmou que, em alguns casos, concorrentes vendem pacotes promocionais com fibra e streaming por preços reduzidos nos primeiros meses, e que, mesmo após reajuste posterior, o valor continuaria abaixo do praticado pela Brisanet.
Segundo ele, depois de seis meses, o tíquete médio desses combos subiria para R$ 79, ainda inferior ao preço-base da operadora cearense.
A empresa, no entanto, sinaliza que prefere preservar rentabilidade e posicionamento comercial a entrar em uma disputa agressiva por preço.
Acusação se estende à telefonia móvel
As críticas do CEO alcançaram também o mercado de telefonia móvel. Nogueira citou, como exemplo, uma licitação envolvendo 400 mil chips para estudantes no Ceará, vencida por uma operadora que teria oferecido 20 GB por R$ 1,90.
Para o executivo, esse tipo de proposta vai além de uma política comercial agressiva.
“Não se trata de nenhum plano agressivo. Isso pode ser considerado quase como um dumping. Estamos olhando isso de perto. Preço baixo é uma coisa. 20 GB a R$ 1,90, no nosso entendimento, é algo parecido com dumping”, afirmou.
Apesar da crítica, ele não detalhou se a Brisanet pretende formalizar denúncia junto ao Cade ou à Anatel.
Estratégia da empresa aposta em combos e expansão da base móvel
Ao mesmo tempo em que critica a guerra de preços, a Brisanet tenta acelerar a integração entre seus serviços. Segundo o CEO, a estratégia de crescimento da companhia passa agora pela oferta de combos entre banda larga e telefonia móvel.
O pacote começou a ser comercializado no fim de 2025 e já teria contribuído para a expansão da base móvel.
Em abril, a operadora adicionou 37 mil novos usuários no serviço celular. Desse total, segundo a empresa, 50% também são assinantes de FTTH. A base móvel da Brisanet somava, até abril, 990 mil clientes.
Empresa quer avançar também no mercado corporativo
Outro foco mencionado por Nogueira foi o crescimento da divisão B2B, voltada a clientes corporativos.
No primeiro trimestre, esse segmento avançou 12,3% na comparação com o mesmo período do ano anterior, embora ainda represente uma parcela pequena da receita total da companhia.
“Temos a rede de backbone mais robusta do Nordeste, com redundância. Então, temos, sim, oportunidade de crescer e estamos nos estruturando para isso. A receita hoje ainda é muito menor do que no B2C, mas, no futuro, temos que avançar mais no B2B”, afirmou o executivo.