Donos de residencial para idosos serão julgados por morte de paciente em Eusébio

Denúncia do Ministério Público do Ceará aponta os acusados respondem por crimes previstos no Estatuto da Pessoa Idosa e no Código Penal
Fachada do MPCE
Foto: Divulgação/MPCE

A Justiça recebeu denúncia contra dois donos de um residencial para idosos em Eusébio. Eles são acusados de negligência nos cuidados com um idoso que morreu após infecção grave. Segundo o Ministério Público, a vítima apresentava feridas, desnutrição e desidratação severas.

A Vara Única Criminal de Eusébio recebeu denúncia do Ministério Público do Ceará (MPCE) contra dois sócios-proprietários da Residência para Idosos São Camilo, localizada no município da Região Metropolitana de Fortaleza. Eles são acusados de negligência nos cuidados com a saúde de um idoso acolhido na instituição, situação que teria contribuído para a morte da vítima.

De acordo com a denúncia apresentada pela 2ª Promotoria de Justiça de Eusébio, os acusados respondem por crimes previstos no Estatuto da Pessoa Idosa e no Código Penal. O processo agora seguirá para a fase de instrução, quando serão produzidas provas e ouvidas testemunhas.

Idoso teria entrado na instituição saudável

Segundo o Ministério Público, o idoso foi admitido na residência em 9 de janeiro de 2024 em boas condições de saúde, sendo capaz de se locomover de forma independente. No entanto, durante o período em que permaneceu na instituição, o quadro clínico teria se agravado de forma severa sem que a família fosse devidamente informada.

Ainda conforme a denúncia, os responsáveis pelo local teriam omitido informações sobre o estado de saúde da vítima e tentado justificar ferimentos afirmando que o próprio idoso estaria se machucando.

Feridas, desnutrição e desidratação

A gravidade da situação teria sido descoberta em 4 de março de 2024, quando familiares encontraram o idoso com feridas profundas em estágio avançado de infecção, além de sinais de desnutrição severa e desidratação.

Diante do quadro, ele foi retirado da instituição no dia 7 de março e levado para atendimento médico. No entanto, segundo o Ministério Público, o estado de saúde já havia evoluído para sepse grave.

O idoso morreu no dia 27 de março de 2024. O atestado de óbito apontou como causas diretas choque séptico, insuficiência renal aguda, sepse de foco cutâneo e úlcera sacral infectada.

Denúncia aponta abandono assistencial

Na denúncia, o Ministério Público afirma que o quadro clínico encontrado é incompatível com os cuidados que deveriam ter sido prestados pela instituição.

Para a promotoria, a evolução da infecção, as lesões extensas e o estado clínico do paciente indicam ausência de acompanhamento médico adequado, higiene apropriada e manejo terapêutico mínimo.

Segundo o órgão, os elementos reunidos no processo apontam para um quadro de negligência grave e abandono assistencial prolongado em condições consideradas desumanas e degradantes, que teriam contribuído diretamente para o desfecho fatal.

Com o recebimento da denúncia pela Justiça, os acusados passam a responder formalmente ao processo criminal.

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