O prefeito Evandro Leitão aproveitou a vitrine internacional da COP30, nesta terça-feira (11), para lançar o Observatório de Riscos Climáticos de Fortaleza — uma plataforma georreferenciada que promete subsidiar a gestão municipal na resposta aos efeitos das mudanças climáticas.
Idealizado e desenvolvido pelo Ipplan Fortaleza, o sistema reúne dados de diferentes fontes — Defesa Civil, Secretaria da Conservação e Serviços Públicos e a Parceria para Cidades Saudáveis —, permitindo monitorar, em tempo real, temperatura, umidade, vento, pluviometria e ilhas de calor.
“Estamos lançando o Observatório de Riscos Climáticos, que monitora a sensação térmica e outros indicadores em áreas estratégicas. Os dados vão orientar ações para mitigar o calor na cidade, assim como melhorar o tempo de resposta da Defesa Civil e outros órgãos”, disse Evandro Leitão.
Tecnologia e prevenção
A ferramenta faz parte da Política Municipal de Mudança do Clima, instituída em setembro, e vem acompanhada de medidas como o aumento em 38% das áreas verdes na revisão do Plano Diretor e o reforço na limpeza de rios e canais para evitar alagamentos.
Segundo o presidente do Ipplan, Artur Bruno, o projeto traduz o esforço da gestão em transformar o discurso climático em ação:
“Para que Fortaleza avance na resposta à crise climática, é imprescindível conhecer a fundo seus riscos e vulnerabilidades. Somente assim é possível formular políticas públicas robustas e orientar investimentos”, pontuou.
Um observatório e uma vitrine política
O lançamento na COP 30, em Belém, coloca Fortaleza no debate global sobre resfriamento urbano — durante o painel “Mutirão contra o Calor Extremo”, promovido pelo PNUMA — Evandro se apresenta como um gestor afinado com a agenda ambiental, de olho em recursos internacionais e visibilidade nacional.
Mais do que um painel de dados, o Observatório é uma plataforma de governança sobre a tentativa de planejar a cidade com base em evidências, algo ainda raro nas capitais brasileiras. A integração de informações sobre áreas de risco, limpeza urbana e estações meteorológicas cria um mapa dinâmico do impacto climático sobre a população — e reforça o discurso de justiça climática, ao priorizar os territórios mais vulneráveis.