Nova lei contra discriminação de autistas deve ter campanha de conscientização

A norma proíbe qualquer forma de discriminação contra pessoas com TEA em ambientes públicos e privados
Deputada estadual Luana Régia (Cidadania)
A autora da lei, deputada Luana Régia, se emocionou na tribuna da Alece ao compartilhar a realidade de uma mãe atípica. Foto: José Leomar/Alece

A deputada Luana Régia propôs que o Ceará faça uma ampla campanha de conscientização sobre a Lei nº 19.571, que combate a discriminação contra pessoas com TEA. As ações devem alcançar escolas, clínicas, bares, restaurantes, shoppings e outros espaços públicos e privados. A lei proíbe discriminação presencial e digital e busca transformar respeito em prática cotidiana.

A nova lei do Ceará que combate a discriminação contra pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) no Estado teve uma grande repercussão após o anúncio de sua sanção e as autoridades já falam em criar uma ampla campanha de conscientização sobre o tema. As ações devem alcançar escolas, clínicas, bares, restaurantes, shoppings e outros espaços públicos e privados.

O anúncio foi feito nesta terça-feira (16), durante discurso da deputada estadual Luana Régia (Cidadania), autora da lei, no plenário da Assembleia Legislativa do Ceará (Alece). A parlamentar destacou que o texto não nasceu em gabinete, mas da vivência cotidiana como mãe atípica e do contato direto com famílias que enfrentam constrangimentos, exclusão e preconceito.

“Essa lei precisa ser conhecida para ser respeitada. Inclusão se constrói com informação, empatia e atitude”, afirmou a parlamentar, ao defender que a campanha vá além do poder público e envolva a sociedade como um todo.

Lei amplia proteção e reconhece discriminação também no ambiente digital

Sancionada no último dia 8 pelo governador Elmano de Freitas, a Lei nº 19.571 proíbe qualquer forma de discriminação contra pessoas com TEA em ambientes públicos e privados, como escolas, serviços de saúde, transportes, estabelecimentos comerciais e espaços de convivência. O texto também reconhece explicitamente que a discriminação pode ocorrer nas redes sociais e no ambiente digital, por meio de comentários ofensivos, ataques e humilhações.

Durante o discurso, Luana Régia ressaltou que situações de exclusão ainda são recorrentes no Ceará e atingem crianças, jovens e adultos com autismo em locais onde deveriam ser acolhidos.

“Eu conheço essa realidade não pela teoria, mas pela vida. Já senti o olhar torto, o julgamento e o despreparo. Isso fere uma família inteira”, disse, ao se emocionar.

Campanha deve envolver comércio, escolas e serviços de saúde

A deputada explicou que a campanha de conscientização terá caráter educativo e preventivo, com foco em orientar gestores, profissionais e a população sobre os direitos das pessoas autistas. A ideia é levar informação diretamente aos espaços onde os episódios de discriminação mais ocorrem, como escolas, clínicas, bares, restaurantes, shoppings e serviços públicos.

“Respeito não é favor, é direito. Queremos que as famílias possam sair de casa sem medo, que pessoas com autismo possam circular, estudar, ser atendidas e participar da sociedade com tranquilidade, sem constrangimento”, afirmou.

Políticas públicas e atendimento contínuo

Além da campanha, Luana Régia defendeu o fortalecimento da rede pública de atendimento às pessoas com autismo, destacando a necessidade de terapias contínuas, acompanhamento multiprofissional e ampliação da oferta de serviços no interior. Ela citou as policlínicas estaduais como espaços estratégicos para ampliar o acesso e afirmou que o Parlamento está disposto a aprovar recursos para viabilizar esse atendimento.

A deputada também informou que tem mantido diálogo com o Executivo sobre a ampliação de equipamentos e políticas públicas voltadas às famílias atípicas.

“Essa é uma vitória coletiva. Seguimos trabalhando para que a inclusão deixe de ser discurso e se torne realidade no dia a dia das famílias cearenses”, concluiu.

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