Fortaleza terá pesquisa inédita sobre prevalência de demências na população idosa

A pesquisa será um marco na saúde pública do envelhecimento, ao estimar quantos idosos fortalezenses convivem com algum tipo de demência
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Atualmente, o Brasil carece de dados precisos sobre o tema, o que dificulta o planejamento de políticas públicas. Foto: Freepik

Fortaleza vai liderar o primeiro grande estudo do Nordeste sobre Alzheimer e outras demências, com coordenação da UFC. A pesquisa vai usar exames clínicos e biomarcadores para estimar a prevalência da doença entre idosos da capital cearense. O projeto busca enfrentar o subdiagnóstico e subsidiar políticas públicas de saúde voltadas ao envelhecimento.

Fortaleza vai sediar o primeiro estudo de base populacional sobre prevalência de demências fora da região Sudeste. O projeto, liderado pelo professor e neurologista João Macêdo, da Universidade Federal do Ceará (UFC), foi aprovado com apoio do Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa Idosa (CMDPI) e busca recursos do Fundo Municipal do Idoso para sua execução.

A pesquisa será um marco na saúde pública do envelhecimento, ao estimar quantos idosos fortalezenses convivem com algum tipo de demência — como Alzheimer, demência vascular e outras síndromes neurocognitivas. O levantamento envolverá entrevistas domiciliares, exames clínicos e biomarcadores laboratoriais, seguindo padrões internacionais de rastreio cognitivo.

Atualmente, o Brasil carece de dados precisos sobre o tema, o que dificulta o planejamento de políticas públicas. O último grande levantamento nacional, realizado há mais de uma década em São Paulo, revelou que menos da metade dos casos de demência são diagnosticados — um problema conhecido como subdiagnóstico, que impede acesso a tratamento e sobrecarrega famílias e cuidadores.

Políticas públicas

O objetivo é conhecer a realidade de Fortaleza e fornecer evidências científicas para que o poder público possa planejar ações de prevenção, diagnóstico precoce e assistência. A capital cearense tem uma das populações idosas que mais cresce no Nordeste, tornando urgente compreender o impacto das doenças neurodegenerativas na rede de saúde.

Além de apoiar a pesquisa, o CMDPI destacou a importância de mobilizar universidades, instituições de saúde e entidades da sociedade civil para fortalecer a rede de atenção ao idoso. O estudo também poderá subsidiar campanhas de capacitação de profissionais, criação de centros de memória regionais e aprimoramento dos protocolos de avaliação cognitiva na atenção básica.

Com a aprovação, o projeto segue para captação de recursos e definição da equipe técnica. A expectativa é que o trabalho comece em 2026, com resultados preliminares já no ano seguinte — colocando Fortaleza no mapa nacional da ciência sobre envelhecimento e demências.

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