As regras para Instagram, Facebook e WhatsApp nas eleições, segundo a Meta

Plano entregue ao TSE prevê moderação de conteúdos, identificação de material produzido por inteligência artificial, restrições à publicidade política e canais para denúncias e ordens judiciais
Celular mostrando os apps de Instagram, Facebook e WhatsApp
Celular mostrando os apps de Instagram, Facebook e WhatsApp(Foto: Marcello Casal jr/Agência Brasil)

A Meta detalhou ao TSE as medidas para Facebook, Instagram, Threads e WhatsApp nas eleições de 2026. O plano prevê identificação de conteúdos produzidos por IA, controle de anúncios políticos e combate a disparos em massa. Eleitores, candidatos e a Justiça Eleitoral terão canais específicos para denúncias.

A Meta apresentou à Justiça Eleitoral as medidas que adotará para proteger a integridade das eleições brasileiras de 2026 no Facebook, Instagram, Threads e WhatsApp. O plano de conformidade detalha regras para moderação de conteúdo, publicidade política, uso de inteligência artificial, proteção de dados pessoais, denúncias e cumprimento de decisões judiciais.

O documento foi elaborado em atendimento às resoluções do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que disciplinam a propaganda eleitoral e a atuação das plataformas digitais. Parte das informações sobre mecanismos internos de detecção e segurança foi mantida sob sigilo para evitar que os controles sejam burlados.

Conteúdo falso sobre a votação poderá ser removido

No Facebook, Instagram e Threads, a Meta afirma que combinará sistemas automatizados, análise humana, denúncias de usuários e encaminhamentos de parceiros para identificar violações.

Entre os conteúdos sujeitos à remoção estão informações falsas sobre data, local, horário e forma de votação; requisitos para o eleitor votar; validade do voto; e participação ou não de determinado candidato na disputa.

As políticas também alcançam ameaças contra candidatos, integrantes dos Poderes e instituições democráticas; incitação à violência eleitoral; discursos de ódio; assédio; violência política de gênero; compra de votos; contas falsas; robôs abusivos e operações coordenadas destinadas a enganar os usuários.

A empresa informa ainda que aplica limites à velocidade com que contas podem publicar conteúdos ou enviar mensagens, além de analisar sinais comportamentais para identificar automação abusiva e disparos em massa.

Propaganda política exigirá identificação

Facebook, Instagram e Threads continuarão permitindo anúncios sobre temas sociais, eleições ou política, desde que o responsável cumpra a legislação, as políticas da plataforma e o processo de autorização da Meta.

Os anúncios deverão apresentar as indicações “Pago por” ou “Propaganda Eleitoral”, identificando o candidato, partido, federação, coligação ou outra pessoa responsável pela contratação. A publicação não poderá ser impulsionada sem que o anunciante conclua o procedimento de autorização.

A Biblioteca de Anúncios manterá por sete anos informações como o conteúdo da peça, período de veiculação, plataformas utilizadas, faixa de gastos, alcance, segmentação e identificação do financiador.

Durante o silêncio eleitoral, a Meta promete desligar todos os anúncios sobre temas sociais, eleições ou política no Brasil. A suspensão está prevista entre 2 e 5 de outubro, no primeiro turno, e entre 23 e 26 de outubro, caso haja segundo turno.

Material produzido por IA terá identificação

Conteúdos criados ou modificados por inteligência artificial poderão receber o rótulo “Informações de IA” no Facebook, Instagram e Threads. A identificação poderá ocorrer por declaração do próprio usuário ou por sinais técnicos presentes nos arquivos, como metadados de procedência.

Nos anúncios políticos, será obrigatória a declaração quando houver imagem ou vídeo fotorrealista ou áudio realista criado ou alterado digitalmente, inclusive por IA. A Meta também proíbe anunciantes políticos de utilizar suas próprias ferramentas generativas para criar imagens, fundos, textos ou expansões de imagem durante a produção do anúncio.

Conteúdos novos gerados por IA que usem imagem, voz ou aparência de candidato ou figura pública ficam sujeitos a proibição no intervalo entre 72 horas antes e 24 horas depois da votação. A medida alcança a publicação e a republicação desse material.

Nos Canais do WhatsApp, conteúdos identificados por metadados como criados ou editados por IA também poderão ser rotulados. Os administradores terão ainda a possibilidade de declarar voluntariamente o uso da tecnologia.

WhatsApp terá regras próprias

Por funcionar principalmente como serviço de mensagens privadas, o WhatsApp terá medidas diferentes das adotadas nas redes sociais abertas.

Partidos, candidatos e campanhas estão proibidos de utilizar a Plataforma WhatsApp Business, conhecida como API, e o recurso de listas de transmissões comerciais do aplicativo Business para disseminação política em massa. Anúncios eleitorais ou políticos também não poderão ser exibidos no Status nem nos Canais.

O aplicativo manterá limitações para encaminhamento de mensagens e tamanho de grupos, além de sistemas destinados a identificar contas que realizem disparos em massa, utilizem ferramentas automatizadas ou apresentem comportamento suspeito.

O WhatsApp também disponibilizará ao TSE um canal para comunicação de números suspeitos de disseminação eleitoral em massa.

Eleitores e candidatos poderão denunciar

Usuários poderão denunciar publicações pelo menu de três pontos do Facebook, Instagram e Threads. Também haverá formulário acessível a pessoas que não possuem conta nas plataformas para comunicar conteúdo supostamente ilegal no Brasil.

Candidatos, partidos, federações e coligações terão um canal específico para denunciar conteúdo eleitoral. No WhatsApp, a Meta afirma que buscará analisar as denúncias apresentadas por esses atores em até 24 horas, embora o prazo possa variar conforme o volume e a complexidade dos casos.

A Justiça Eleitoral terá canais exclusivos para encaminhar denúncias e ordens de remoção de conteúdo, suspensão de perfis e fornecimento de dados. A empresa declara que cumprirá determinações judiciais válidas e manterá uma estrutura jurídica dedicada ao período eleitoral.

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