Comissão aprova exigência de servidores de carreira no comando da Abin

Projeto determina que os cargos de diretor-geral e diretor-adjunto sejam ocupados exclusivamente por oficiais de inteligência
Deputado federal Luiz Gastão (PSD-CE)
O deputado federal Luiz Gastão (PSD-CE) defendeu a mudança como forma de reforçar a estrutura técnica e a profissionalização da agência (Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados)

A Comissão de Administração e Serviço Público da Câmara dos Deputados aprovou projeto que reserva o comando da Abin a oficiais de inteligência de carreira. A proposta busca fortalecer a profissionalização, a continuidade administrativa e os critérios técnicos na agência. O texto ainda passará por outras comissões antes de seguir ao Senado.

A Comissão de Administração e Serviço Público da Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei nº 648/2022, que restringe os cargos de diretor-geral e diretor-adjunto da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) a oficiais de inteligência de carreira.

A proposta recebeu parecer favorável do deputado federal Luiz Gastão (PSD-CE), relator da matéria, que apresentou ajustes ao texto e defendeu a mudança como forma de reforçar a estrutura técnica e a profissionalização da agência.

Atualmente, os principais cargos de direção da Abin não são reservados exclusivamente a integrantes da carreira. O projeto altera a legislação que criou a agência para exigir que as duas funções sejam exercidas por servidores com formação de nível superior e qualificação específica na área de inteligência.

Critérios técnicos e meritocráticos

Para Luiz Gastão, a exigência valoriza os profissionais que atuam diretamente no setor e reduz a percepção de influência exclusivamente política na escolha dos dirigentes.

“A medida fortalece a profissionalização da atividade de inteligência no Brasil e reforça a percepção de que a agência é guiada por critérios técnicos e meritocráticos, afastando interpretações de natureza exclusivamente política”, afirmou o parlamentar.

Na avaliação do relator, a ocupação dos cargos por servidores de carreira também contribui para a continuidade administrativa e para a preservação do conhecimento institucional acumulado pela Abin.

Atuação em temas estratégicos

Autor da proposta, o deputado Augusto Coutinho (Republicanos-PE) argumenta que a natureza sensível das atividades desenvolvidas pela agência justifica a exigência de experiência e formação especializada para seus dirigentes.

“A agência atua em temas sensíveis relacionados à inteligência de Estado, incluindo prevenção à espionagem e à sabotagem. Por isso, é recomendável que seus cargos estratégicos sejam exercidos por profissionais habilitados e experientes na área”, declarou.

A Abin é responsável por produzir conhecimentos estratégicos destinados a subsidiar decisões do governo federal e por atuar na proteção do Estado brasileiro contra ameaças como espionagem, sabotagem e interferências externas.

Tramitação continua na Câmara

O projeto ainda será analisado pelas comissões de Relações Exteriores e de Defesa Nacional e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Caso seja aprovado nas próximas etapas da Câmara dos Deputados, o texto seguirá para apreciação do Senado Federal.

Veja também