O Tribunal Regional Eleitoral do Ceará (TRE-CE) terá, nesta sexta-feira (14), uma das sessões mais importantes do ano. Dois prefeitos de grandes centros regionais do Estado — Roberto Filho (Iguatu) e Glêdson Bezerra (Juazeiro do Norte) — devem voltar ao plenário e podem ter os mandatos cassados em segunda instância, abrindo caminho para novas eleições em 2025.
Os casos correm paralelamente, mas carregam peso semelhante. Iguatu é o principal polo da região Centro-Sul. Juazeiro do Norte, o maior município do interior e epicentro político do Cariri. Uma eventual queda simultânea dos dois gestores teria repercussão estadual, especialmente na disputa de forças rumo a 2026.
Atualização: as chapas dos dois prefeitos foram absolvidas pelo TRE-CE. No caso de Iguatu, houve um empate. O pleno então entendeu que nessa circustância caberia o ˜princípio da soberania popular”. Já no caso de Juazeiro do Norte foram 5 votos a 1 contra a cassação.
Iguatu: julgamento avançado e placar apertado
O processo de Iguatu está mais adiantado. Na última sessão, o TRE-CE formou maioria provisória pela cassação da chapa. O relator foi acompanhado pelos desembargadores Durval Aires Filho e Daniel Carvalho Carneiro, formando 3 a 2 pelo afastamento do prefeito Roberto Filho e do vice Antônio Ferreira.
A divergência veio dos desembargadores Luciano Nunes Maia Freire e José Maximiliano, que votaram pela manutenção da sentença de primeiro grau, ambos por fundamentos distintos. O julgamento foi interrompido após pedido de vista da presidente da Corte, desembargadora Maria Iraneide Moura Silva.
No voto vencedor até agora, a maioria aponta abuso de poder econômico e captação ilícita de sufrágio, inclusive com previsão de inelegibilidade por oito anos e realização de novas eleições diretas no município. A defesa nega qualquer irregularidade e argumentou que “não há lastro probatório válido capaz de sustentar condenação”, além de ter solicitado diligências para evitar “premissa fática equivocada” — pedido rejeitado pelo colegiado.
Juazeiro do Norte: placar inicial contra o prefeito
Em Juazeiro do Norte, o clima também é de incerteza. O julgamento foi iniciado nesta terça (11), com o relator votando pela cassação dos diplomas de Glêdson Bezerra e do vice Tarso Magno, mantendo a sentença que já havia declarado a inelegibilidade do prefeito por oito anos e determinado novas eleições.
O relator rejeitou preliminares das defesas, afastou multa por litigância de má-fé e manteve a condenação pelos demais fundamentos. O desembargador Emanuel Leite Albuquerque pediu vista logo após o voto inicial, deixando o placar em 1 a 0 pela cassação.
A defesa do prefeito nega abuso de poder e afirma que “não há elementos que justifiquem decisão tão grave”, destacando ainda que o Ministério Público Eleitoral — em manifestação recente — se posicionou contra a cassação. Mesmo assim, o caso segue em julgamento colegiado, em ambiente imprevisível.
Consequências regionais e impacto em 2026
Se confirmadas eventuais cassações nesta sexta, Juazeiro do Norte e Iguatu terão eleições suplementares em 2025. E isso mexe diretamente na disputa pela sucessão estadual de 2026.
Os dois prefeitos integram o campo da oposição ao governo estadual. A eventual saída precoce de ambos abre espaço para disputas internas, realinhamentos e fortalecimento — ou fragilização — de grupos rivais nos dois territórios. Em municípios estratégicos como esses, o resultado pode alterar a correlação de forças no interior, influenciando alianças, palanques e composição das chapas para o próximo ciclo.
Ainda cabe recurso
Mesmo que o TRE-CE confirme a cassação nesta sexta, tanto Roberto Filho quanto Glêdson Bezerra ainda poderão recorrer ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A permanência nos cargos durante o trâmite dependerá do tipo de recurso e de eventuais efeitos suspensivos concedidos pela Corte superior.
De toda forma, a sessão desta sexta promete forte impacto político e pode redesenhar o mapa de poder do interior cearense em pleno pré-2026.