Prefeitos de Iguatu e Juazeiro do Norte têm dia decisivo e podem ser cassados pelo TRE-CE

Julgamentos podem resultar em novas eleições e influenciar tabuleiro de 2026
Roberto Filho, prefeito de Iguatu, e Glêdson Bezerra, prefeito de Juazeiro do Norte
Roberto Filho, prefeito de Iguatu, e Glêdson Bezerra, prefeito de Juazeiro do Norte. Foto: Reprodução/Instagram

O Tribunal Regional Eleitoral do Ceará (TRE-CE) pode cassar nesta sexta-feira (14) os mandatos dos prefeitos de Iguatu, Roberto Filho (PSDB), e de Juazeiro do Norte, Glêdson Bezerra (Podemos). A maioria do colegiado já votou pela cassação da chapa por abuso de poder econômico e compra de votos em Iguatu, com possível inelegibilidade por oito anos. No caso de Juazeiro, o relator também votou pela cassação, mas o julgamento foi suspenso por pedido de vista. Caso sejam confirmadas as decisões, os dois municípios terão eleições suplementares em 2025, com impacto direto no cenário político do Ceará para 2026. Ainda caberá recurso ao TSE.

O Tribunal Regional Eleitoral do Ceará (TRE-CE) terá, nesta sexta-feira (14), uma das sessões mais importantes do ano. Dois prefeitos de grandes centros regionais do Estado — Roberto Filho (Iguatu) e Glêdson Bezerra (Juazeiro do Norte) — devem voltar ao plenário e podem ter os mandatos cassados em segunda instância, abrindo caminho para novas eleições em 2025.

Os casos correm paralelamente, mas carregam peso semelhante. Iguatu é o principal polo da região Centro-Sul. Juazeiro do Norte, o maior município do interior e epicentro político do Cariri. Uma eventual queda simultânea dos dois gestores teria repercussão estadual, especialmente na disputa de forças rumo a 2026.

Atualização: as chapas dos dois prefeitos foram absolvidas pelo TRE-CE. No caso de Iguatu, houve um empate. O pleno então entendeu que nessa circustância caberia o ˜princípio da soberania popular”. Já no caso de Juazeiro do Norte foram 5 votos a 1 contra a cassação.

Iguatu: julgamento avançado e placar apertado

O processo de Iguatu está mais adiantado. Na última sessão, o TRE-CE formou maioria provisória pela cassação da chapa. O relator foi acompanhado pelos desembargadores Durval Aires Filho e Daniel Carvalho Carneiro, formando 3 a 2 pelo afastamento do prefeito Roberto Filho e do vice Antônio Ferreira.

A divergência veio dos desembargadores Luciano Nunes Maia Freire e José Maximiliano, que votaram pela manutenção da sentença de primeiro grau, ambos por fundamentos distintos. O julgamento foi interrompido após pedido de vista da presidente da Corte, desembargadora Maria Iraneide Moura Silva.

No voto vencedor até agora, a maioria aponta abuso de poder econômico e captação ilícita de sufrágio, inclusive com previsão de inelegibilidade por oito anos e realização de novas eleições diretas no município. A defesa nega qualquer irregularidade e argumentou que “não há lastro probatório válido capaz de sustentar condenação”, além de ter solicitado diligências para evitar “premissa fática equivocada” — pedido rejeitado pelo colegiado.

Juazeiro do Norte: placar inicial contra o prefeito

Em Juazeiro do Norte, o clima também é de incerteza. O julgamento foi iniciado nesta terça (11), com o relator votando pela cassação dos diplomas de Glêdson Bezerra e do vice Tarso Magno, mantendo a sentença que já havia declarado a inelegibilidade do prefeito por oito anos e determinado novas eleições.

O relator rejeitou preliminares das defesas, afastou multa por litigância de má-fé e manteve a condenação pelos demais fundamentos. O desembargador Emanuel Leite Albuquerque pediu vista logo após o voto inicial, deixando o placar em 1 a 0 pela cassação.

A defesa do prefeito nega abuso de poder e afirma que “não há elementos que justifiquem decisão tão grave”, destacando ainda que o Ministério Público Eleitoral — em manifestação recente — se posicionou contra a cassação. Mesmo assim, o caso segue em julgamento colegiado, em ambiente imprevisível.

Consequências regionais e impacto em 2026

Se confirmadas eventuais cassações nesta sexta, Juazeiro do Norte e Iguatu terão eleições suplementares em 2025. E isso mexe diretamente na disputa pela sucessão estadual de 2026.

Os dois prefeitos integram o campo da oposição ao governo estadual. A eventual saída precoce de ambos abre espaço para disputas internas, realinhamentos e fortalecimento — ou fragilização — de grupos rivais nos dois territórios. Em municípios estratégicos como esses, o resultado pode alterar a correlação de forças no interior, influenciando alianças, palanques e composição das chapas para o próximo ciclo.

Ainda cabe recurso

Mesmo que o TRE-CE confirme a cassação nesta sexta, tanto Roberto Filho quanto Glêdson Bezerra ainda poderão recorrer ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A permanência nos cargos durante o trâmite dependerá do tipo de recurso e de eventuais efeitos suspensivos concedidos pela Corte superior.

De toda forma, a sessão desta sexta promete forte impacto político e pode redesenhar o mapa de poder do interior cearense em pleno pré-2026.

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