Internet para todos: as barreiras invisíveis que impedem o acesso

Mesmo com leis que garantem a acessibilidade digital, pessoas com deficiência ainda enfrentam dificuldades para navegar em sites e serviços públicos
Uma fotografia de corpo inteiro mostra Elizon Vieira de Oliveira sorridente, com cabelos curtos e escuros, vestindo um blazer preto sobre uma camisa azul clara, calça khaki e sapatos casuais marrons, olhando para o alto e para a esquerda. Ele carrega uma bolsa tiracolo com uma alça marrom visível em seu ombro e está em pé em uma passarela pavimentada com piso tátil ao lado de um canteiro de plantas. O fundo apresenta um complexo de edifícios de escritórios modernos com janelas de vidro reflexivas e uma proeminente estrutura de treliça metálica esquelética no telhado sobre uma passarela coberta, com palmeiras altas e vegetação rasteira visível sob um céu nublado.
Uma fotografia de corpo inteiro mostra Elizon Vieira de Oliveira sorridente, com cabelos curtos e escuros, vestindo um blazer preto sobre uma camisa azul clara, calça khaki e sapatos casuais marrons, olhando para o alto e para a esquerda. Ele carrega uma bolsa tiracolo com uma alça marrom visível em seu ombro e está em pé em uma passarela pavimentada com piso tátil ao lado de um canteiro de plantas. O fundo apresenta um complexo de edifícios de escritórios modernos com janelas de vidro reflexivas e uma proeminente estrutura de treliça metálica esquelética no telhado sobre uma passarela coberta, com palmeiras altas e vegetação rasteira visível sob um céu nublado.

Elizon Vieira de Oliveira, servidor do TRE-CE com deficiência visual, utiliza leitores de tela como NVDA e TalkBack para navegar na internet e acessar serviços digitais. A tecnologia transforma conteúdos visuais em áudio, permitindo que pessoas cegas leiam notícias, preencham formulários e utilizem sites — desde que as páginas sejam desenvolvidas de forma acessível. Apesar de avanços e iniciativas do Governo do Ceará e da Assembleia Legislativa para adaptar portais públicos, falhas como imagens sem descrição, botões sem identificação e formulários confusos ainda criam barreiras e dificultam a autonomia de usuários com deficiência visual.

Ouvir versão em áudio da reportagem (4 min)

Elizon Vieira de Oliveira coloca os fones de ouvido, liga o computador e começa a navegar. Para ele, a tela não tem imagens, mas a internet tem voz.

Um programa chamado leitor de tela lê em voz alta tudo o que aparece na página: títulos, links, botões e textos. Elizon é natural de Jucás, no interior do Ceará, tem deficiência visual e trabalha no Tribunal Regional Eleitoral (TRE-CE). Ele depende dessa tecnologia para ter autonomia.

“No computador, uso o NVDA. No celular, uso o TalkBack”, explica.

Esses programas transformam o conteúdo visual em áudio. É assim que pessoas cegas conseguem ler notícias, preencher formulários e usar serviços do governo. Mas isso só funciona se o site for construído corretamente.

As barreiras que ninguém vê

Para quem enxerga, um site pode parecer perfeito. Para quem não enxerga, pequenos erros de programação são como muros altos. As falhas mais comuns são:

  • Imagens sem descrição: O leitor de tela não consegue dizer o que é a foto.
  • Botões sem nome: O programa avisa que existe um botão, mas não diz para que ele serve.
  • Formulários confusos: Quando o site não explica o que deve ser digitado em cada campo.

“Existem sites bonitos, mas completamente inacessíveis. Quando isso acontece, a informação não chega e a navegação trava”, diz Elizon.

A luta pela autonomia

Quando encontra uma barreira, Elizon tenta de tudo: troca o navegador, testa outro leitor de tela ou tenta comandos diferentes. Nem sempre funciona.

Muitas vezes, a única saída é pedir ajuda ao “olho amigo” — uma pessoa que enxerga para ler o que está na tela. “Não é o ideal. A gente quer autonomia”, desabafa. Depender de terceiros para tarefas simples mostra que a inclusão digital ainda está longe de ser completa.

O que diz a Lei?

No Brasil, a acessibilidade digital é obrigatória. A Lei Brasileira de Inclusão (nº 13.146/2015) determina que sites e serviços públicos devem ser acessíveis.

Isso significa que as páginas devem seguir regras internacionais (chamadas de WCAG). Na prática, qualquer cidadão, com ou sem deficiência, deve conseguir usar a internet com facilidade.

Como o Ceará está se adaptando

O Governo do Ceará, por meio do Laboratório de Inovação e Dados (Íris), está trabalhando para mudar essa realidade. Gustavo Moura, do Íris, explica que a acessibilidade agora faz parte da criação dos sites estaduais.

As melhorias incluem:

  • Cores com contraste (fáceis de ler);
  • Organização clara de títulos;
  • Navegação que funciona apenas pelo teclado.

Lucas Judá, também do Íris, reforça que o trabalho é contínuo e envolve testes com usuários reais. Serviços como o Entrada Moradia Ceará e o agendamento da Carteira de Identidade já passaram por melhorias.

Acessibilidade na Assembleia Legislativa (Alece)

A Assembleia Legislativa do Ceará também busca ampliar o acesso à informação. Os portais da Alece já oferecem ferramentas como:

  1. Ajuste de contraste e tamanho da letra;
  2. Estrutura compatível com leitores de tela;
  3. Verificações constantes para seguir os padrões mundiais de tecnologia (W3C).

O objetivo é garantir que a informação da “Casa do Povo” chegue a todos, sem distinção.


Saiba mais: O que é um Leitor de Tela?

São programas que transformam o texto e os comandos do computador ou celular em voz. Os mais usados são:

  • NVDA e JAWS: Para computadores Windows.
  • TalkBack: Para celulares Android.
  • VoiceOver: Para iPhones e computadores Apple.

3 erros que bloqueiam o acesso

  1. Imagens sem “texto alternativo”: Sem isso, a pessoa com deficiência visual não sabe o que a imagem representa.
  2. Links sem sentido: Links como “clique aqui” não explicam para onde o usuário será levado.
  3. Botões genéricos: Botões que apenas dizem “botão”, sem indicar se é para “enviar”, “cancelar” ou “salvar”.

“Quando um site nasce acessível, tudo fica natural. Eu só quero resolver minha vida como qualquer cidadão”, finaliza Elizon.

Banner horizontal do projeto “Direito de Acesso”. À esquerda, fundo azul com o título “Direito de Acesso”, sendo “Direito de” em azul claro e “Acesso” em branco, acompanhado de um traço curvo abaixo da palavra. À direita, em fundo claro, aparecem as identificações institucionais: “Realização: O Veredito”; “Patrocínio: Assembleia Legislativa do Estado do Ceará (ALECE)”; e “Apoio institucional: OAB Ceará”, com suas respectivas logomarcas.

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