Tarifas de Trump são ilegais, diz tribunal de recursos dos EUA

Decisão de Corte de Apelações questiona uso de taxas como ferramenta de política externa e abre caminho para confronto jurídico na Suprema Corte
Trump em coletiva
Trump utilizou sua rede social, o Truth Social, para lamentar a decisão, chamando o tribunal de "altamente partidário". Foto: Emily J. Higgins/Casa Branca

Um tribunal de recursos dos Estados Unidos declarou ilegais a maioria das tarifas impostas por Donald Trump, uma decisão que enfraquece sua principal ferramenta de política econômica internacional. O tribunal permitiu que as tarifas continuem em vigor até 14 de outubro para que o governo possa recorrer à Suprema Corte. O veredito de 7 a 4 se baseou no argumento de que a lei usada por Trump (a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional) não lhe dá a autoridade explícita para impor tarifas. Trump lamentou a decisão e expressou esperança de que a Suprema Corte a reverta.

Um tribunal de recursos dos Estados Unidos declarou ilegais a maioria das tarifas impostas por Donald Trump. A decisão, proferida nesta sexta-feira (29), questiona a principal ferramenta de política econômica internacional do presidente e prejudica a sua estratégia de usar as taxas para pressionar parceiros comerciais. Apesar disso, o tribunal permitiu que as tarifas permaneçam em vigor até 14 de outubro para dar tempo ao governo de recorrer à Suprema Corte dos EUA.

O veredito de 7 a 4 da Corte de Apelações para o Circuito Federal em Washington aborda a legalidade de duas medidas tarifárias de Trump: a guerra comercial de abril e um conjunto separado de tarifas de fevereiro contra China, Canadá e México.

O tribunal argumentou que a lei na qual Trump se baseou, a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA), confere autoridade para lidar com ameaças extraordinárias, mas não inclui explicitamente o poder de impor tarifas. A Corte considerou improvável que o Congresso, ao criar a lei, pretendesse conceder ao presidente autoridade ilimitada para aplicar taxas.

Reação de Trump e o caminho para a Suprema Corte

Trump utilizou sua rede social, o Truth Social, para lamentar a decisão, chamando o tribunal de “altamente partidário” e afirmando que a eliminação das tarifas seria um “desastre total para o país”. Ele, no entanto, demonstrou esperança de que a decisão seja revertida com a ajuda da Suprema Corte.

A controvérsia sobre as tarifas é parte de um confronto jurídico mais amplo sobre a política econômica de Trump.

Outra briga judicial sobre a independência do Federal Reserve também parece destinada à Suprema Corte. As ações judiciais contra as tarifas de Trump foram movidas por pequenas empresas e estados norte-americanos, que argumentam que a Constituição concede ao Congresso, e não ao presidente, a autoridade para emitir impostos e tarifas.

A decisão do tribunal, no entanto, não afeta outras tarifas emitidas sob outra autoridade legal, como as impostas sobre as importações de aço e alumínio.

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