Comportamento de Trump leva a debate constitucional sobre aplicação da 25ª Emenda no EUA

Crise política reacende discussão sobre remoção do presidente com base em incapacidade prevista na Constituição americana
Presidente dos EUA Donald Trump com vice e secretário de Estado
Críticos afirmam que a 25ª Emenda deveria ser considerada para determinar se Trump continua apto a exercer a presidência. Foto: RS/Fotos Públicas

Uma carta de Donald Trump a líderes europeus reacendeu, em Washington, o debate sobre a 25ª Emenda da Constituição dos Estados Unidos, que trata da incapacidade do presidente para exercer o cargo. O teor do documento levantou questionamentos sobre a condução da política externa e o equilíbrio decisório do presidente. Críticos defendem que o episódio ilustra por que alguns setores voltaram a discutir a aplicação desse mecanismo constitucional.

Uma carta enviada pelo presidente Donald Trump a líderes europeus provocou debates em Washington sobre a possível aplicação da 25ª Emenda da Constituição dos Estados Unidos, um dispositivo legal que trata da incapacidade do presidente para exercer o cargo.

A mensagem, dirigida ao primeiro-ministro da Noruega e contendo críticas ao Prêmio Nobel da Paz e referências estratégicas a Groenlândia e à Organização do Tratado do Atlântico Norte, foi vista por críticos como um sintoma de comportamento imprudente, reacendendo a ideia de recorrer a mecanismos constitucionais para avaliar a capacidade de Trump governar. O assunto foi um dos mais discutidos pela imprensa dos EUA nesta terça-feira (20).

O que é a 25ª Emenda

A Vigésima Quinta Emenda foi ratificada em 1967 para preencher lacunas na sucessão presidencial e para lidar com situações em que o presidente não pode cumprir as funções do cargo, seja por incapacidade física ou mental, morte, renúncia ou destituição. Ela estabelece quatro mecanismos principais: a sucessão do vice-presidente em caso de vacância da presidência, o preenchimento de vaga na vice-presidência, a transferência temporária de poderes quando o presidente próprio declara incapacidade, e — mais controversamente — a possibilidade de que o vice-presidente e a maioria do Gabinete declarem que o presidente está incapaz de exercer suas funções, dando ao vice-presidente o cargo em exercício.

Por que se discute invocá-la contra Trump

Após a divulgação da carta e em meio a preocupações políticas e jurídicas mais amplas sobre sua conduta e tomada de decisões, alguns comentaristas e especialistas afirmam que a 25ª Emenda deveria ser considerada para determinar se Trump continua apto a exercer a presidência. A seção mais debatida é a Secção 4, que nunca foi invocada na história americana e permitiria ao vice-presidente e à maioria dos chefes de departamento declarar o presidente incapaz de cumprir seus deveres. 

Críticos argumentam que ações percebidas como erráticas ou incapacidade cognitiva podem justificar a abertura desse processo, enquanto defensores de Trump chamam o debate de motivado por oposição política e não por critérios objetivos de incapacidade reconhecidos constitucionalmente. 

A 25ª Emenda continua sendo um instrumento constitucional de última instância, destinado a casos em que o presidente não pode mais cumprir as obrigações do cargo, e sua possível aplicação está no cerne de um debate jurídico e político acalorado nos Estados Unidos.

Veja também