O Ceará é o estado brasileiro que menos gera receita para as operadoras de telefonia móvel na média por usuário, segundo dados do Panorama Econômico-Financeiro do 3º trimestre de 2025, divulgado pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).
O indicador utilizado no levantamento é o ARPU (Average Revenue Per User — Receita Média por Usuário), métrica amplamente adotada no setor de telecomunicações para medir quanto, em média, cada cliente paga mensalmente pelos serviços contratados. No Ceará, o ARPU da telefonia móvel ficou em torno de R$ 22,78, o menor entre todas as unidades da federação.
O que o ARPU revela sobre o mercado
O ARPU é considerado um dos principais termômetros da saúde econômica do mercado de telecomunicações. Ele não mede apenas o número de usuários, mas a capacidade de geração de receita das operadoras a partir da base de clientes.
Um ARPU mais baixo, como o registrado no Ceará, não significa necessariamente menor acesso à internet ou aos serviços móveis, mas indica que os consumidores, em média, contratam planos mais baratos, com menor valor agregado. Esse cenário costuma estar associado a fatores como renda média da população, predominância de planos pré-pagos e estratégias comerciais voltadas ao volume, e não ao tíquete médio elevado.
Ceará consome, mas paga menos
Os dados analisados pela Anatel mostram que estados do Nordeste, de modo geral, apresentam ARPU inferior à média nacional, mas o Ceará aparece na última posição do ranking. Em contraste, estados como São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul concentram os maiores valores de receita média por usuário.
Isso ocorre mesmo em um contexto de uso intensivo da internet móvel. O consumo de dados cresce de forma consistente em todo o país, inclusive no Ceará, impulsionado por redes sociais, streaming, serviços bancários digitais e aplicativos de mensagens. Ainda assim, esse aumento de uso não se converte proporcionalmente em aumento de receita para as operadoras no estado.
Impactos sobre investimentos e infraestrutura
O baixo ARPU tem reflexos diretos sobre as decisões de investimento das empresas de telecomunicações. Regiões com menor retorno financeiro tendem a enfrentar mais dificuldades para atrair investimentos robustos em infraestrutura, como expansão de redes 5G, modernização de antenas e melhoria da qualidade do serviço.
Assim, o desafio é equilibrar inclusão digital, preços acessíveis e sustentabilidade econômica das operadoras para garantir acesso amplo e de qualidade sem comprometer a capacidade de investimento das empresas, especialmente em regiões com menor poder aquisitivo médio.
Desigualdades regionais em evidência
O relatório da Anatel reforça que o mercado brasileiro de telecomunicações ainda reflete desigualdades regionais históricas. Estados com maior renda per capita e concentração urbana conseguem gerar mais receita por usuário, enquanto estados do Norte e Nordeste, como o Ceará, sustentam grandes bases de clientes com menor retorno financeiro individual.
Nesse contexto, indicadores como o ARPU devem contribuir para discussões relativas a políticas públicas de conectividade, subsídios, regulação e estímulos a investimentos em áreas menos rentáveis, mas socialmente estratégicas.