O Tribunal Regional Eleitoral do Ceará (TRE-CE) deve deliberar, na retomada dos trabalhos do Pleno nesta segunda-feira (12), sobre a realização de eleições suplementares nos municípios de Choró, Potiretama e Senador Sá. A expectativa é que os novos pleitos ocorram ainda no primeiro semestre de 2026, possivelmente no dia 1º de março, data prevista no calendário nacional de eleições suplementares estabelecido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
A convocação de novas eleições ocorre após decisões da Justiça Eleitoral que resultaram na cassação de mandatos ou no indeferimento de registros de prefeitos eleitos em 2024, conforme prevê o Código Eleitoral.
Choró: prefeito eleito está foragido e responde a investigações no STF
Em Choró, a eleição suplementar foi determinada após a cassação do registro de candidatura do prefeito eleito Bebeto Queiroz (PSB) e do vice Bruno Jucá (PRD). Bebeto tornou-se um dos casos mais sensíveis da Justiça Eleitoral cearense.
Ele foi alvo da Operação Ad Manus, deflagrada pelo Ministério Público do Ceará, que investigou supostas fraudes em contratos de abastecimento de combustível da Prefeitura. Em novembro de 2024, teve mandado de prisão expedido, apresentou-se à Polícia Civil e permaneceu preso por dez dias. Pouco depois, passou a ser alvo da Operação Vis Occulta, conduzida pelo Ministério Público Eleitoral e pela Polícia Federal, com apoio da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco), ligada ao governo federal.
Desde então, Bebeto encontra-se foragido. As investigações apontam suspeitas graves, como compra de votos, fraudes em licitações, lavagem de dinheiro, influência sobre órgãos de segurança, vínculos com facções criminosas, ameaças e tentativa de homicídio. Parte do inquérito tramita no Supremo Tribunal Federal (STF), sob relatoria do ministro Gilmar Mendes, em razão da menção a autoridades com prerrogativa de foro, como o deputado federal Júnior Mano (PSB).
Além disso, Bebeto possui condenação por posse ilegal de arma de fogo, após apreensão de armamento com numeração raspada em abordagem policial ocorrida em 2020.
Potiretama: abuso de poder político e prefeito preso preventivamente
Em Potiretama, a Justiça Eleitoral cassou os mandatos do prefeito Luan Dantas (PP) e da vice-prefeita Solange Capelo (PT) por abuso de poder político, uso indevido dos meios de comunicação e conduta vedada durante a campanha de 2024.
O TRE-CE rejeitou, por unanimidade, os recursos apresentados pela defesa, mantendo a decisão que também declarou Luan Dantas inelegível por oito anos. Segundo a Corte, houve divulgação irregular de ações da Prefeitura em redes sociais, com manutenção de propaganda institucional em período vedado.
Paralelamente ao processo eleitoral, Luan Dantas está preso preventivamente desde abril de 2025, acusado de ser o autor intelectual de um incêndio ocorrido no município vizinho de Alto Santo. Em novembro, a Câmara Municipal de Potiretama cassou seu mandato em sessão extraordinária, declarando a vacância do cargo.
Desde então, o município é administrado interinamente pelo presidente da Câmara Municipal.
Senador Sá: showmício e uso de recursos públicos motivaram cassação
Em Senador Sá, o prefeito Bel Júnior (PP) e a vice-prefeita Professora Maria (PP) tiveram os mandatos cassados por irregularidades cometidas durante a campanha eleitoral de 2024.
A decisão teve como base a realização da chamada “Cavalgada do Bel”, evento considerado pela Justiça Eleitoral como showmício, com uso de estrutura custeada com recursos públicos, o que configura abuso de poder político e econômico.
A cassação foi confirmada em duas instâncias, e o Tribunal Superior Eleitoral manteve a inelegibilidade de Bel Júnior, sob relatoria da ministra Isabel Gallotti. Em junho de 2025, o TSE chegou a suspender liminarmente uma eleição suplementar que estava marcada para julho, mantendo Bel no cargo de forma provisória. Com o julgamento definitivo, o novo pleito voltou a ser autorizado.
Datas e próximos passos
As eleições suplementares seguem o calendário definido pela Portaria TSE nº 567/2025, que prevê datas possíveis ao longo de 2026. Para o primeiro semestre, estão disponíveis 11 de janeiro, 1º de fevereiro, 1º de março, 12 de abril, 17 de maio e 21 de junho.
Após a deliberação do Pleno do TRE-CE, a data escolhida ainda precisará ser homologada pelo Tribunal Superior Eleitoral. As votações ocorrerão das 8h às 17h e, caso nenhum candidato alcance maioria absoluta, poderá haver segundo turno, conforme a legislação eleitoral.