Em muitas empresas, especialmente nas de controle familiar ou em fase de crescimento acelerado, a informalidade ainda é tratada como sinônimo de agilidade. Decisões são tomadas em conversas rápidas, acordos são ajustados verbalmente, registros ficam para depois — ou simplesmente não existem. O problema é que, do ponto de vista jurídico, a informalidade não elimina riscos; ao contrário, costuma ampliá-los silenciosamente.
O direito empresarial não exige, como regra, estruturas complexas ou burocracias típicas de grandes companhias para reconhecer a validade das decisões. O que ele exige é clareza, rastreabilidade e coerência entre a vontade da empresa e os atos que produzem efeitos perante terceiros. Quando isso não existe, abre-se espaço para interpretações externas — muitas vezes feitas pelo Judiciário — sobre o que a empresa “quis” decidir.
É nesse ponto que a informalidade cobra seu preço. Sem atas, registros mínimos, contratos claros ou documentos que expressem a lógica da decisão, a empresa perde o controle narrativo do próprio negócio. Em disputas societárias, trabalhistas, fiscais ou contratuais, a ausência de formalização transfere ao juiz a tarefa de reconstruir fatos e intenções, quase sempre com base em presunções desfavoráveis ao empresário.
Outro equívoco comum é acreditar que práticas informais são toleráveis enquanto a empresa é “pequena” ou “enxuta”. A experiência prática demonstra o oposto: quanto menor a estrutura, maior a exposição pessoal dos sócios e administradores. A informalidade dilui a separação entre pessoa física e jurídica, fragiliza a defesa patrimonial e aumenta o risco de responsabilização direta, inclusive fora dos limites do capital social.
Do ponto de vista estratégico, formalizar decisões não é um custo improdutivo, mas um investimento em previsibilidade. Empresas que documentam minimamente suas escolhas operam com maior segurança, negociam melhor com parceiros, transmitem credibilidade a investidores e reduzem significativamente o contencioso futuro.
A informalidade pode até parecer funcional no curto prazo, mas raramente resiste ao primeiro conflito relevante. Quando o problema surge, o empresário descobre que não está discutindo apenas o mérito da decisão, mas tentando provar que ela existiu, que foi legítima e que seguiu uma lógica empresarial razoável. E, nesse momento, o silêncio documental costuma falar mais alto do que qualquer argumento.