O Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE) deu um novo passo para intensificar o combate ao crime organizado com a criação de quatro órgãos de atuação especializada: os Gaecos Sul e Norte, o CyberGaeco e o Gaesp. As novas estruturas foram instituídas na semana passada e marcam uma estratégia de regionalização, modernização e integração institucional da atuação ministerial em todo o Estado.
A iniciativa é uma promessa de campanha do procurador-geral de Justiça Herbet Santos, que tem trajetória ligada ao enfrentamento ao crime organizado. Essa experiência, inclusive, é apontada como um dos fatores que levaram o governador a escolhê-lo para chefiar o MP cearense no atual biênio.
O que é o Gaeco e por que ele é estratégico
O Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) é um órgão do Ministério Público especializado na investigação e repressão a crimes praticados por organizações criminosas, como facções, milícias, esquemas de lavagem de dinheiro e corrupção estruturada. Sua atuação envolve investigações complexas, ações de inteligência, pedidos de medidas cautelares e trabalho conjunto com forças policiais e outros órgãos de controle.
Ao criar novos Gaecos no interior, o MPCE busca descentralizar o enfrentamento às facções, aproximando a atuação especializada das regiões mais afetadas pela expansão do crime organizado. A medida também reduz a dependência de estruturas concentradas na capital e fortalece a resposta estatal em áreas estratégicas do estado.
Gaecos Sul e Norte ampliam presença no interior
O Gaeco Sul, sediado em Juazeiro do Norte, terá atuação nas regiões do Cariri, Centro-Sul, Sertão Central, Região Jaguaribana e Litoral Leste. A coordenação ficará a cargo do promotor de Justiça Lívio Araújo Brito, com apoio dos promotores Leonardo Marinho e Ariel Alves.
Já o Gaeco Norte, com sede em Sobral, atuará na Região Norte, Serra da Ibiapaba, Sertão dos Inhamuns e Litoral Oeste. O grupo será coordenado pelo promotor Handerson Miranda, com os promotores Guilherme Maia e Rafael Medeiros como coordenadores auxiliares.
Além da criação das novas unidades, o MPCE também reforçou a estrutura do Gaeco que atua em Fortaleza e Região Metropolitana, com mais recursos humanos e tecnológicos.
CyberGaeco mira facções no ambiente virtual
Outra frente estratégica é o CyberGaeco, com atuação em todo o Ceará. Coordenado pelo promotor Luiz Eduardo Mendes, com auxílio dos promotores Bruno Bezerra Luz e Mayara Muniz, o grupo será responsável por investigar crimes cometidos no ambiente digital, especialmente aqueles ligados a organizações criminosas.
A atuação inclui inteligência, investigações especializadas, pedidos judiciais e cooperação nacional e internacional, diante do uso crescente da internet por facções para recrutamento, comunicação, lavagem de dinheiro e outros crimes.
Gaesp aproxima MP das políticas de segurança pública
Também foi criado o Grupo de Atuação Especial em Segurança Pública (Gaesp), vinculado diretamente ao Gabinete do procurador-geral de Justiça. O grupo será coordenado pelo promotor Renato Magalhães, com apoio dos promotores Carolina Steindorfer e Daniel Formiga Porto.
O Gaesp atuará em todo o estado com foco na integração institucional, no monitoramento e fiscalização das políticas de segurança pública e no diálogo permanente com órgãos de controle, sociedade civil e a comunidade científica.
Integração e foco no cidadão
Ao anunciar as novas estruturas, Herbet Santos destacou que a estratégia combina descentralização territorial, especialização técnica e integração entre instituições. Segundo ele, o objetivo é tornar o enfrentamento ao crime organizado mais eficiente e próximo da realidade local.
Com a expansão dos Gaecos, a criação do CyberGaeco e a atuação articuladora do Gaesp, o MPCE sinaliza uma mudança de patamar no combate às organizações criminosas, alinhando repressão qualificada, inteligência e políticas públicas de segurança — em resposta a um dos maiores desafios atuais do Ceará.