Evento da Amcham Brasil destaca papel estratégico do jurídico na era da inovação e da inteligência artificial

Empresas como Pague Menos, Jandaia, Meirelles & Freitas Advogados e a própria Amcham apontam caminhos para uma advocacia mais conectada com os negócios, com dados e com as pessoas
Evento “Legal Intelligence: Dados, Tecnologia e Liderança”, da Amcham Brasil (Câmara Americana de Comércio)
Gestores jurídicos, líderes empresariais e especialistas em inovação discutiram os desafios e oportunidades para os departamentos jurídicos e escritórios

O evento “Legal Intelligence”, promovido pela Amcham em Fortaleza, reuniu lideranças jurídicas de empresas como Pague Menos, MF Digital Law e Jandaia para discutir os rumos do setor jurídico corporativo. Os participantes destacaram a importância da inovação, da inteligência artificial e da personalização no atendimento como elementos essenciais para uma atuação mais estratégica e alinhada ao negócio. A iniciativa reforça que o jurídico atual precisa ser multidisciplinar, orientado por dados e com foco tanto em eficiência quanto em cuidado com as pessoas.

O papel do setor jurídico dentro das empresas está mudando — e rápido. A busca por eficiência, personalização no atendimento e uso de tecnologia ganhou destaque durante o evento “Legal Intelligence: Dados, Tecnologia e Liderança”, promovido pela Amcham Brasil em Fortaleza, nesta quinta-feira (30).

No encontro, gestores jurídicos, líderes empresariais e especialistas em inovação discutiram os desafios e oportunidades que surgem quando departamentos jurídicos se tornam aliados estratégicos do negócio.

Inovação com foco em pessoas

A gerente jurídica da Pague Menos e Extrafarma, Patrícia Damaceno, reforçou que a transformação digital precisa ser acompanhada de uma cultura de acolhimento. “Aliar inovação com o cuidado com as pessoas é uma preocupação da Pague Menos. Primeiro a gente olha para as pessoas”, disse. “Para que a gente consiga realmente evoluir, todo mundo evolui junto”, completou.

A gestora destacou a importância do Ninna Hub, núcleo de inovação da empresa que premia ideias de colaboradores e estimula projetos inovadores. “A empresa é como um berço mesmo, de desenvolvimento dessas pessoas e de estar sempre de olhos abertos para essas novas tecnologias”, completou.

Inteligência jurídica orientada por dados

Para Fernando Cardoso, sócio-diretor da Meirelles & Freitas Advogados e da MF Digital Law, o uso de inteligência artificial e automação já é uma exigência do mercado. “O jurídico está fadado ao insucesso se não souber utilizar automações ou a cultura data driven”, afirmou. Ele destacou o papel do evento da Amcham como espaço para compartilhar o que há de mais moderno, inclusive com aprendizados trazidos da Fenalaw, maior feira jurídica da América Latina.

Cardoso citou a presença de grandes empresas cearenses, como Hapvida e Grupo Edson Queiroz, como prova do engajamento do mercado local com o futuro da advocacia.

O jurídico como parceiro de negócios

Essa visão também foi defendida por Rayana Guedes, gerente jurídica da Sucos do Brasil (Jandaia) e presidente da Comissão de Gestão Jurídica e Estratégica da OAB-CE. Segundo ela, o jurídico deixou de ser apenas técnico: “O atendimento jurídico precisa ser personalizado, adaptado ao perfil de cada cliente, agregando valor e evitando soluções padronizadas”, disse.

Rayana destacou que o advogado atual precisa ser multidisciplinar, inovador e orientado por dados, capaz de traduzir informações complexas para gerar previsibilidade e valor real ao negócio.

Painelistas do evento “Legal Intelligence: Dados, Tecnologia e Liderança”, promovido pela Amcham Brasil em Fortaleza
Painelistas do evento “Legal Intelligence: Dados, Tecnologia e Liderança”, promovido pela Amcham Brasil em Fortaleza

Papel da Amcham: atualizar e conectar

Fred Sampaio, gerente regional da Amcham Ceará, destacou que o foco da entidade é oferecer conteúdo útil tanto para escritórios quanto para empresas atendidas por eles. “Buscamos equalizar a conversa para que todo mundo cresça junto”, disse. Ele também explicou que a Câmara mantém um núcleo de acompanhamento de temas regulatórios e de interesse do empresariado, como o recente “tarifaço”, promovendo diálogos com governos e setores privados nos dois países.

Um novo ciclo para o jurídico corporativo

O evento reforçou que os departamentos jurídicos mais valorizados hoje são aqueles que sabem dialogar com a estratégia da empresa, dominar ferramentas de automação e dados, e manter o olhar atento às pessoas. A mensagem dos painelistas foi clara: não basta acompanhar o ritmo das mudanças — é preciso liderá-las.

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