Como o Ceará teve crescimento de exportações mesmo afetado pelo tarifaço dos EUA

Vendas externas do Estado cresceram 56% em relação a 2024
Vista aérea de pier do Porto do Pecém
Volume exportado pelo Ceará saltou de US$ 1,5 bilhão para US$ 2,3 bilhões em apenas um ano. Foto: Tatiana Fortes/Governo do Estado

O Ceará fechou 2025 com o maior crescimento percentual do Brasil nas exportações, com alta de 56%, mesmo em um cenário internacional marcado pelo tarifaço dos Estados Unidos. O resultado foi puxado principalmente pela siderurgia e pela diversificação da pauta exportadora. Estratégia governamental, incentivos fiscais e abertura de mercados ajudaram o Estado a mitigar os impactos das barreiras comerciais.

O Ceará encerrou 2025 com o maior crescimento percentual do Brasil em exportações, mesmo em um cenário internacional marcado por barreiras comerciais e pelo aumento de tarifas impostas pelos Estados Unidos. Segundo dados do Comex Stat, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), analisados pela Agência de Desenvolvimento do Estado do Ceará (Adece), as vendas externas do Estado cresceram 56% em relação a 2024.

O volume exportado saltou de US$ 1,5 bilhão para US$ 2,3 bilhões em apenas um ano, desempenho que colocou o Ceará na liderança nacional. O resultado só fica atrás do recorde histórico de 2017, quando o crescimento foi de 62%. Na sequência do ranking aparecem Tocantins (22%) e Pernambuco (19%).

Para o governador Elmano de Freitas, o desempenho reflete uma estratégia voltada à ampliação da presença do Estado no comércio internacional. “Esses resultados representam bem nossa estratégia de ampliar a participação do Ceará no mercado internacional. Com diálogo com o setor produtivo, temos criado um ambiente favorável para que as empresas aumentem suas exportações”, afirmou, citando ainda o impacto futuro do Polo Automotivo e da expansão das energias renováveis.

Siderurgia puxa crescimento e pauta se diversifica

O principal motor das exportações cearenses em 2025 foi a siderurgia, que alcançou US$ 1,18 bilhão em vendas externas, mais que o dobro do registrado no ano anterior. O setor consolidou-se como o maior item da pauta exportadora do Estado.

Na sequência, o segmento de calçados manteve relevância, enquanto a fruticultura seguiu em crescimento consistente, impulsionada pela competitividade do agronegócio e pela abertura de novos mercados. Óleos e gorduras vegetais também avançaram, sinalizando maior agregação de valor da agroindústria. Já os minerais não metálicos apresentaram o maior crescimento percentual entre os principais segmentos, ainda que sobre uma base menor, reforçando a diversificação da pauta exportadora.

Estratégia para enfrentar o tarifaço dos EUA

De acordo com o presidente da Agência de Desenvolvimento do Estado do Ceará, Danilo Serpa, o resultado positivo está ligado à reação rápida do Governo do Ceará diante do tarifaço norte-americano. “O diálogo com o setor produtivo e a agilidade nas ações lideradas pelo governador para conter as consequências negativas causadas pelas tarifas dos Estados Unidos fizeram a diferença”, afirmou.

Danilo destaca ainda o papel dos incentivos fiscais concedidos por meio do Fundo de Desenvolvimento Industrial (FDI), que beneficia justamente os principais setores exportadores. Segundo ele, a política de atração de investimentos tem priorizado indústrias com maior valor agregado e vocação exportadora, como o polo siderúrgico, atualmente o maior responsável pelas vendas externas do Estado.

Abertura de mercados e projeção internacional

Para a secretária das Relações Internacionais do Ceará, Roseane Medeiros, o crescimento das exportações é resultado de uma estratégia contínua de abertura de mercados e fortalecimento da imagem do Estado no exterior.

“Esse avanço reforça o posicionamento do Ceará como parceiro competitivo, confiável e preparado para integrar cadeias globais de valor, atrair investimentos e gerar desenvolvimento sustentável”, afirmou.

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