Caucaia defende contrapartidas em energia e conectividade para instalação de data centers

Secretário Machidovel Trigueiro Filho afirma que projetos não podem operar como “ilhas digitais” sem deixar legado de infraestrutura para o município
Equipamentos em data center
Foto: evertonpestana/Pixabay

O secretário Machidovel Trigueiro Filho defendeu que a instalação de data centers em Caucaia esteja vinculada a contrapartidas em infraestrutura digital e energética. Segundo ele, os empreendimentos não podem operar como “ilhas digitais” sem integração com o território e as políticas públicas locais. A proposta é garantir que conectividade e energia deixem legado permanente para o município e para o ecossistema de inovação.

O secretário de Ciência, Inovação e Desenvolvimento Tecnológico de Caucaia, Machidovel Trigueiro Filho, defendeu que a instalação de grandes data centers no Ceará seja condicionada a contrapartidas estruturantes em infraestrutura de dados e energia, de forma integrada às políticas públicas locais.

Segundo o secretário, empreendimentos dessa natureza não podem funcionar apenas como pontos de passagem de dados internacionais, sem conexão efetiva com o território onde estão inseridos. “Grandes data centers não podem chegar ao município como ilhas, voltadas apenas ao tráfego internacional, sem deixar legado de infraestrutura para a cidade”, afirmou.

Acesso à infraestrutura digital

Machidovel destacou que a presença de cabos submarinos e backbones de fibra óptica só gera desenvolvimento se houver pontos de acesso e distribuição ao longo do território. “Não basta que a fibra atravesse Caucaia ligando os cabos submarinos à ZPE. É essencial que existam pontos de derivação, como caixas de terminação óptica, hubs e pontos de acesso de rede. Sem isso, a riqueza passa por baixo da terra sem poder ser utilizada”, disse.

Para o secretário, esse acesso é fundamental para permitir que empresas locais, startups e o Parque Tecnológico de Caucaia (PARTEC) tenham conectividade compatível com padrões globais. “Com esses pontos de acesso, o município consegue ‘iluminar’ seus próprios dados e criar um ambiente competitivo para quem quer empreender aqui”, acrescentou.

Energia como ativo estratégico

Outro ponto enfatizado foi a necessidade de planejamento energético integrado. De acordo com Machidovel, novas linhas de transmissão e subestações não devem ser projetadas apenas para atender um empreendimento específico. “A infraestrutura elétrica precisa ser dimensionada para absorver também a demanda futura do município e de outros investimentos que virão a reboque, como data centers de borda”, afirmou.

Ele ressaltou que a capacidade de fornecimento, redundância e expansão de energia passou a ser um fator central de valorização territorial e industrial. “Hoje, energia define o valor do ativo e a viabilidade de novos projetos. Isso precisa estar pactuado com o poder público”, pontuou.

Infraestrutura como política pública

Machidovel Trigueiro Filho defendeu ainda que energia e conectividade sejam tratadas como infraestrutura estratégica, nos mesmos moldes de rodovias, portos e ferrovias. “Não faz sentido aceitar pacotes de contrapartidas definidos unilateralmente, sem escuta técnica de quem gere o território e planeja a política pública”, disse.

Para o secretário, a integração da infraestrutura aos interesses locais é condição para evitar um modelo de dependência tecnológica. “Se os dados apenas passam pelo território e são processados fora, exportamos valor e importamos custo. O desafio é garantir que a nova economia digital tenha endereço em Caucaia, e não apenas passagem”, concluiu.

As declarações ocorrem em meio à expansão de projetos ligados a data centers e à economia digital no Ceará, que tem buscado consolidar sua posição estratégica no cenário nacional e internacional.

Veja também